“O intervencionismo do Estado deve ser desenvolvimentista”-defende o professor António Francisco

António-Francisco-IESE-300x149 “O intervencionismo do Estado deve ser desenvolvimentista”-defende o professor António FranciscoO Professor António Francisco, falava a margem da palestra realizada na universidade Eduardo Mondlane no passado dia 22 de Abril, promovida pela organização Estudantes pela Liberdade – Moçambique com o tema: Escola Austríaca de Economia e sua contribuição na construção de uma sociedade livre.

Na ocasião o professor mostrou-se séptico em relação a actual situação económico e social que o país atravessa, afirmando que um dos problemas evidentes é o elevado intervencionismo do Estado, resistindo desta forma, a criação de um mercado livre com regras.

“Ao invés de proteger os direitos de propriedade dos cidadãos o Estado chama-se o direito de ser o dono da terra por exemplo. Isto é, o estado aparecer a competir com o cidadão e não a proteger o cidadão. Fazendo isto o Estado estará a ser mais intervencionista do que propriamente liberal” explicou.

E de referir que recentemente a bancada parlamentar da Frelimo recusou que fosse chamado o Governo para prestar contas sobre os endividamentos ilegais que foram feitos. De acordo com o professor, não é possível ter uma estabilidade económica se um estado se comporta desta maneira, “e isto gerou a situação que vimos recentemente do próprio fundo monetário ter interrompido a cooperação e ter interrompido inclusivamente o crédito de 155 mil milhões de dólares que tinha acordado”.

“Espero que o fundo monetário consiga uma resposta positiva, não só porque o governo ficou no aperto e na dificuldade de ter dinheiro, mas sim porque realmente se procura refazer reformas que ultrapassem este tipo de obstáculos”

Indo mais além, o Director do IESE, apela a criação de medidas imediatas, no sentido de proporcionar facilidades para que as pessoas possam gerar capacidade produtiva e poupança interna, a poupança interna é muito limitada, o país pode crescer rapidamente com a poupança dos outros mas não desenvolver.

Leia:  “Moments of Jazz “  com George Benson

“Nenhum país nos últimos cinquenta anos desenvolveu significativamente e teve crescimento inclusivo sem poupança interna. O nosso consumo é baixo, mas as acções que são necessárias, que gerem poupança são indispensáveis” vincou.

Falando em linguagem desportiva o palestrante, disse que o Estado põe-se a querer fazer intervenções em coisas e não deixa os produtores, então o Estado continua a querer ser o motor da economia. Não pode e não é. O estado não é o jogador, é o árbitro, e esta jogar com pessoas que não deve jogar e não desempenha a função de árbitro.

“Contudo os produtores têm o maior competidor que é o próprio Estado que tem uma postura não de regulador e harmonizador, mas um interveniente que quer beneficiar para aqueles que estão no estado, no poder politico que aproveitam-se para fazer a vida a custa daqueles que produzem, como também aproveitam-se das contribuições da poupança externa, mas nós estamos a ver que isto esta se esgotar” -concluiu.

Por: Alcides Madeira

LIVRE & INDEPENDENTE

© Jornal Txopela, 2017
Todos os direitos reservados
Fundado em 2014

REGISTO Nº 01/GABINFO-DEC/2016. © AFRO MEDIA COMPANY
Ir para a barra de ferramentas