A função criativa da sexualidade expressa no xibalo de Belmira Manhonha

Jesemusse-Cacinda-300x300 A função criativa da sexualidade expressa no xibalo de Belmira ManhonhaDesde a antiguidade o erotismo tem sido uma temática frequente nas artes. Da escultura à pintura, da literatura à musica passando pela fotografia é comum encontrar traços de e sobre sexualidade.

O erotismo está patente, por exemplo nas obras do escultor frances Auguste Rodin que cegou mesmo a considerar a nudez como fonte de inspiração. Gustav Klimint, por sua vez, marcou o mundo das artes ao pintar a imagem de uma mulher submissa ao desejo, tendo nalgum momento sido considerado perverso e pornográfico.

Nos estudos da psicanalise que tem em Sigmund Freud como o seu ponto mais alto, os aspectos do comportamento humano são explicados com base nas manifestações do prazer, uma posição que tem sido bastante aclamada pelos sexólogos modernos que falam da função criadora, unificadora e reconciliadora do sexo.

Há entretanto que destacar que a filosofia da moral, passou na nossa época a tentar encontrar uma distinção entre erotismo e pornografia.  O seu caráter de elaboração cultural e o importante papel que a imaginação desempenhou em todas as épocas na elaboração de códigos eróticos, levaram a assinalar que a diferença com a pornografia reside mais no interesse. Enquanto a pornografia suscita a excitação, o erotismo tem uma função especificaente criativa, aliás como diria um amigo, a melhor poesia que conheço é o corpo nú da mulher mulher. Logo, pornografia é falar de sexo sem arte alguma, enquanto erotismo é abordá-lo dentro dos carris artísticos, não só de forma criativa, mas despertando criatividade em quem interpreta.

É isto que encontramos na música de Belmira Manhonha, esta muthiana orera que nos chega das terras do grande Nampula. A jovem invadiu há dias o mercado musical com uma música intitulada xibalo, chancelada pela BZ Record, a mesma cosinha onde foi preparado o “nhanhado” a febre do ano, da autoria do filho de peixe que também sabe nadar, Messias Maricoa. O título, per si, desperta-nos a outras interpretações, como trabalho forçado ou mesmo, maus tratos.

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O certo é que ao ouvir a música, os maus trataos são solicitados pela vítima. Ela pede que seja maltratada e depois diz que gosta. O que nos leva a concluir que os maus tratos na verdade são bons. Mas que maus ou bons tratos são esses? A vítima pede que seja movimentada de lá para cá, numa clara alusão de que precisa de ginástica e transpiração. Ela fala da harmonia dos corpos entre o polícia (que faz o xibalo) e a escrava (vítima de xibalo), em que sem este, ela não existe, como e tal e qual. Como diria uma lenda, opostos atraem-se.

Quando o polícia percebe que está exagerar nos alegados maus tratos, a escrava pede que não páre e exige bravura, exige que o instinto leonino seja solto, exige que lhe apertem e lhe puxem, mas que no fim a escrava não deixa de gostar. Este desenho criativo da descrição de uma relação sexual, faz com que a sexualidade esteja expressa de forma criativa, tornando a música numa verdadeira obra de arte.

Por: Jessemusse Cacinda

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