Gurué – Um Portugal que fala Macua – Lomwe

DSC_0896-300x200 Gurué – Um Portugal que fala Macua – LomweA Província da Zambézia é conhecida como o Pequeno Brasil, devido a doçura que tem o seu carnaval e a alegria estampada no rosto do seu povo, sempre disposto a extinguir as amarguras da vida com momentos únicos e inesquecíveis de diversão de rua. Assim é o festival da praia de Zalala e a agitação de Mocuba – onde as pessoas se reencontram e Moçambique se abraça.

Tive a oportunidade de assistir, maior parte dos jogos do Euro, fora de Maputo, isto é, entre distritos de Nampula, Niassa e Zambézia. Ao longo do campeonato europeu de futebol, Moçambicanos e Portugueses sofriam com os jogos que sempre terminavam aos gritos e abraços de alívio.

Assistir os jogos do Euro por Moçambique adentro foi mágico, mas a grande magia senti em Gurué, uma cidade pequena com características de causar boa impressão a qualquer visitante que se circunscrevem em zonas acentuadas e montanhas com verde a mistura.

Nesta cidade onde a brisa contribui para que se tenham campos totalmente verdes e a produção do chá passe a ser tradição, com cidadãos de origem portuguesa que depois da independência em 1975, decidiram fazer desta, sua terra e de Moçambique sua nação, o Euro teve outro sabor.

Cada jogada era sentida e vivida pelos moçambicanos e portugueses que pelas noites se faziam ao restaurante da pensão Gurué, onde a tela era simplesmente pequena para abranger um número maior de pessoas que queriam ver o jogo e ouvir os comentários do serviço em Português da Super Sport.

DSC_0896-300x200 Gurué – Um Portugal que fala Macua – LomweMoçambicanos que têm no Macua – Momwe como sua língua primeira, movidos pela irmandade que tem com Portugal, como resultado da partilha da língua e dos seus hábitos culturais, vibraram de tal forma que recordei-me, das festas de futebol que acontecem no campo da Bela Vista em Nacala.

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Mas estes gritos, marcaram mais porque os jogos eram vistos pela televisão, mas com claques e vuvuselas como se estivessem no estádio a ver de perto. Na verdade senti-me em Paris a ver de perto as emoções. Marca-me também, o facto de Gurue ser, o primeiro, dentre os vários lugares onde acompanhei o Euro 2016, onde todos, eram adeptos de Portugal.

Saí daquela cidade, mas confesso que no dia da final, gostava de ter estado ali de novo para ver de novo aquele senhor que desmaiou quando Rui Patrício defendeu aquele penalte Polaco. Gostava de ter estado em Gurue para ver mais um abraço que se repete, desta vez por causa do futebol.

Neste ano, o Euro não foi um simples jogo de futebol, foi sim uma prova de que a fé, a crença e a paciência pode mover montanhas. Espero que este espírito marque a vida de cada um dos moçambicanos. Estamos nós sim, com fé e acreditamos nos unir para ultrapassar a crise político militar e económica que nos abala.

Jessemusse Cacinda


DSC_0896-300x200 Gurué – Um Portugal que fala Macua – LomweJessemusse Cacinda é jornalista moçambicano. Formado em Filosofia/História pela Universidade Pedagógica e Mestrando em Sociologia Rural e Gestão de Desenvolvimento pela Universidade Eduardo Mondlane. Tem uma larga experiência na comunicação social, tendo trabalhado na Rádio Moçambique e agora no Centro de Apoio a Informação e Comunicação Comunitária, um projecto baseado na Universidade Eduardo Mondlane. Comenta em programas de rádio e televisão e tem artigos de opinião dispersos pela imprensa escrita no país e no estrangeiro.

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