Não se pode mesmo desistir – Aiton Sacur e Colt Blame já o dizem

Jesemusse-Cacinda-300x300 Não se pode mesmo desistir – Aiton Sacur e Colt Blame já o dizem

Jessemusse Cacinda é jornalista moçambicano. Formado em Filosofia/História pela Universidade Pedagógica e Mestrando em Sociologia Rural e Gestão de Desenvolvimento pela Universidade Eduardo Mondlane. Tem uma larga experiência na comunicação social, tendo trabalhado na Rádio Moçambique e agora no Centro de Apoio a Informação e Comunicação Comunitária, um projecto baseado na Universidade Eduardo Mondlane. Comenta em programas de rádio e televisão e tem artigos de opinião dispersos pela imprensa escrita no país e no estrangeiro.

“Não vou desistir” é o título da nova música de Aiton Sacur, músico, compositor, produtor e instrumentista moçambicano que saiu recentemente dos estúdios às estações de rádio, casas e outras plataformas de distribuição desta arte, de resto, a mais popular de todas. A música conta com participação do rapper, Colt Blame.

Já dizia Platão que “a música é um meio mais poderosos do que qualquer outro porque o ritmo e a harmonia têm a sua sede na alma”. Faz-se, evidência a alma ou a sensibilidade que aliás está por detrás, de toda e qualquer produção artístico-cultural, como diria Nélio Nhamposse, “não me cabe que um cultor de artes, não tenha sensibilidades”.

A música, “não vou desistir” expressa um amor no sentido Platónico de “Eros” que se baseia no desejo pelo que não se tem, numa espécie de “equação macabra” que faz a vida oscilar entre a frustração de amar e desejar o que não se tem ou o enfado de ter o que não se ama mais.

Pelo que se conta, o sujeito da música, vivia aquele amor que Aristóteles designou de, “Philia” que se caracteriza na satisfação pelo encontro, pelas pessoas que já estão ao seu lado, neste lado, o sujeito tinha a sua amada consigo, mas algo terá acontecido, o que fez com que ela saísse da relação.

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Encontra-se, descrito então um modelo de amor, que sintetiza estas duas vias filosóficas de interpretação deste sentimento, tanto como desejo, assim como alegria de ter o que equivale a dizer que em todos os momentos, não se pode desistir de amar.

O melhor que o homem tem a fazer neste mundo é amar. Amar a si próprio, amar a outrem, amar a natureza, pois só quem ama constrói-se e quem odeia, destrói-se. Por isso, tem que se amar e nunca desistir de amar, tanto quando temos, como quando perdemos.

Esta música, mais do que nos trazer um R&B bem feito, que se diga, quer nos ensinar a viver com a crença, fé e convicção que a nossa alegria não faz sentido quando desistimos, é preciso sim, continuar – sempre aberto a ser feliz e fazer os outros felizes.

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