As duas faces de Manuel de Araújo

Enquanto a fama do ‘politico mais proeminente em Moçambique se espalha pelo planeta, em Quelimane, a opinião se divide entre adeptos e detractores.

Quelimane (Txopela) — Se existisse um ranking de popularidade dos presidentes dos municípios em Moçambique, Manuel de Araújo, certamente estaria na liderança. Recentemente, o semanário Sul-africano The Mail and Guardian e a Southern Africa Trust atribuíram ao autarca o primeiro lugar do prémio de “Boa Governação ” pelo sucesso na gestão de resíduos sólidos, na protecção de mangais e crescimento de receitas municipais.29433072692_57f4002060_o-300x200 As duas faces de Manuel de Araújo

Entre celebridades, movimentos e artistas, o fascínio com “mano Mané” é ainda maior. O rapper Stupa o descreve numa das suas músicas como “o messias de Quelimane”; Douglas M. Griffiths Ex-Embaixador dos estados unidos da América em Moçambique reconheceu que Quelimane é um “exemplo a ser seguido”. O mundo ama Araújo. E os Quelimanenses? Será que o amam também?

Talvez porque em sua própria terra as virtudes e os defeitos dos políticos sejam mais conhecidos do que no exterior, o autarca também empresário de 46 anos de idade concentre tantos adeptos quanto desafectos: enquanto metade dos Quelimanenses se gaba de ter o melhor presidente do país, a outra metade se desespera.

— Assim como em Moçambique no geral, em Quelimane, a opinião pública a respeito da gestão municipal está muito politizada: aqueles que se sentem próximos do governo o aprovam. Todos os demais, desaprovam — explica Guilherme de Sousa, analista político moçambicano.

No seu primeiro mandato, Araújo foi vencedor das eleições municipais intercalares com 62,27% dos votos apurados. Ele conquistou a segunda autarquia para o MDM (depois da Beira) e defendeu a sua maioria nas eleições de 2013.

Há que diga que Manuel de Araújo, neste mandato, tem um nível de aprovação menor que na época das intercalares

Para os “Maquelimanes”, Araújo é um homem cativante, com uma história de vida cinematográfica. Politico destemido desde os anos noventa, ele desafiou a FRELIMO, partido no poder desde a fundação da república, cuja as suas façanhas incluem a eliminação física de adversários políticos “fortes”, nasceu a 11 de Outubro de 1970, em Quelimane onde fez os seus estudos primários e secundários.29433072692_57f4002060_o-300x200 As duas faces de Manuel de Araújo

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É Professor Doutor um dos poucos em Quelimane, fundador da Associação dos Estudantes de Relações Internacionais, do Conselho Nacional da Juventude, do Conselho Juvenil para o Desenvolvimento do Voluntariado, da Fundação para o Desenvolvimento da Zambézia, da Associação Moçambicana no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, e do Centro do Estudos Moçambicanos Internacionais (CEMO).

— Numa política nacional marcada pela corrupção e pelo tráfico de influência, Manuel de Araújo conquistou atenção por surgir como um símbolo da austeridade, honestidade — afirma, Fidel João Castigo, Director do Semanário Makholo.

As contestações

A Mídia local não vê Manuel de Araújo com bom olho, é tido no seio da classe jornalística como sendo “charlatão” — Há uma sessão dominante de que ele só sabe prometer, inúmera vezes apareceu, na boca dos pleitos eleitorais a prometer terrenos por exemplo ao sindicato dos jornalistas para erguer-se a sede desta instituição ou terrenos para habitação dos jornalistas, entretanto não os cumpriu e se hoje vocês o questionarem sobre isso, vai seguramente responder com arrogância e maldizeres — declarou um jornalista da praça que solicitou anonimato.

— Manuel pode ser avaliado pelo que é, ou pelo que faz. Quem se concentra em sua figura, tende a ter uma imagem positiva. Quem analisa sua gestão geralmente tem uma visão mais crítica — diz Teresa Damião.

As constantes viagens ao exterior sem resultados palpáveis, o despesismo que a sua governação nos últimos anos tem se caracterizado, a sua conivência com a adulação dos seus vereadores e directores e problemas em “ouvir conselhos” constituem a mancha negra do autarca, segundo apontam os nossos interlocutores.29433072692_57f4002060_o-300x200 As duas faces de Manuel de Araújo

Munícipes entrevistados  pelo semanário Txopela lamentam que Araújo  não tenha conseguido montar um programa de transformações — como uma reestruturação do sistema de limpeza da cidade e apoiar projectos juvenis impactantes na economia da cidade  — para prever um crescimento sustentado no futuro.

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— As verdadeiras preocupações dos Quelimanenses são as mesmas que o presidente definiu como prioridades em seu plano de governo: educação, segurança, e meio ambiente, três áreas nas quais os avanços nem se quer foram traccionados —  refere Custodio Ferreira, estudante de ciência politica e relações internacionais.

Manuel de Araújo já não tem apoio do Movimento Democrático de Moçambique, partido pelo qual chegou ao poder e de sussurros em sussurros admite-se a ideia de que ele não venha a recandidatar-se pelo mesmo partido, caso ele tenha essa pretensão—Confidenciou ao TXOPELA um deputado da Assembleia da Republica pelo circulo eleitoral da Zambézia, cuja a sua identidade é mantida sob anonimato ao seu pedido

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Em Quelimane, no entanto, o impacto das ausências entenda-se (viagens exacerbadas) do autarca são sentidas por cada um dos munícipes, “reconheço que sim, há problemas na remoção de lixo na Autarquia, há três semanas que a máquina escavadora e porta contentores estão avariadas, são eles que garantem a remoção de resíduos sólidos na cidade e o orçamento para a reparação é de 100 mil meticais. A direcção das finanças do Conselho Municipal de Quelimane não é flexível no desembolso dos valores para a reparação e aliado a isto existe um pessoal que tem estado a inviabilizar o nosso funcionamento (roubo de peças, combustível) ”, afirma Casimiro Pedro, Director da Empresa Municipal de Saneamento de Quelimane.  (Jornal Txopela)

Artigo da numero 1 da serie: “Democracia e boa Governação em Moçambique”, publicado 
sob vaticínio do Conselho editorial do Jornal Txopela. 

 

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