Empregabilidade no agro-negócios não está a melhorar as condições de vida dos moçambicanos

DSC_0866-300x200 Empregabilidade no agro-negócios não está a melhorar as condições de vida dos moçambicanosUma das estratégias do governo de Moçambique é de promover o emprego através da promoção da cadeia do agro negócio. Num país onde mais de 70% da população depende da agricultura para a sua sobrevivência, a aposta na cadeia de produção e comercialização de produtos agrários é vista como uma promessa para o futuro do país.

Entretanto, quando mais cresce a cadeia do agro negócio, mais cresce a empregabilidade das pessoas que terão de realizar actividades concretas. Não obstante, esta promoção do emprego, principalmente neste sector específico não está a traduzir-se na melhoria das condições de vida das pessoas.

De acordo com uma pesquisa realizada recentemente e publicada na série 2016 do livro Desafios para Moçambique, editado pelo IESE – Instituto de Estudos Económicos e Sociais, a forma como funciona a empregabilidade do agro negócio em Moçambique, caracterizada por contratos sazonais e sem o devido acautelamento da segurança social obrigatória coloca em vulnerabilidade os envolvidos, fazendo com que haja emprego, mas as condições de vida não melhorem.

Carlos Muianga, investigador do IESE refere que as empresas criam esquemas para que os trabalhadores não sejam registados na segurança social, para além de que trabalham mais do que as horas indicadas, assim como o modelo de pagamento não permite que os trabalhadores resolver as suas necessidades básicas.

A pesquisa foi realizada em empresas de produção do chá na Zambézia e plantações florestais do Niassa.

Uma outra pesquisa, publicada no mesmo livro, refere que a estratégia de crescimento económico de Moçambique falha pelo facto do país ter crescer com base na poupança externa e no investimento estrangeiro e até agora o país não tem uma estratégia de poupança interna que financie o investimento nacional.

Leia:  Recenseamento Geral da População arranca em Agosto próximo

O economista moçambicano, António Francisco, refere que a crise financeira a que o país está atravessar deve-se ao facto do país não ter uma estratégia de acumulação, fazendo que recorra de forma permanente a endividamentos.

Para o economista tanto o governo como a sociedade não devem ter ansiedade de crescer com o que os outros pouparam, mas sim como eles poupam. O crescimento através de financiamento exterior é na perspectiva do académico, instável.

O livro: “Desafios para Moçambique”foi recentemente lançado em Maputo e contém uma colectânea de pesquisas sobre a situação sociopolítico e económica do país, numa altura em que o mesmo é atravessado por uma grave crise económica e um conflito militar interno.  Jessemuse Cacinda

 

LIVRE & INDEPENDENTE

© Jornal Txopela, 2017
Todos os direitos reservados
Fundado em 2014

REGISTO Nº 01/GABINFO-DEC/2016. © AFRO MEDIA COMPANY
Ir para a barra de ferramentas