Ponte sobre o Rio Chipaca: Um atentado a vida

— Utentes antevêem tragédia

IMG_20161122_111859-300x225 Ponte sobre o Rio Chipaca: Um atentado a vida

Cidadãos tentando atravessar a ponte sobre o rio chipaca

Quelimane (Txopela) – Os utentes da ponte sobre o Rio Chipaca que divide a cidade de Quelimane do Posto Administrativo de Madal, no mesmo distrito, antevêem uma possível situação que poderá chamar atenção as autoridades pela negativa, pois segundo relataram ao Jornal Txopela, as condições em a ponte se encontra não passa de um atentado a vidas humanas.

A ponte sobre o Rio Chipaca cedeu em Março de 2015, no prolongamento das enxurradas que se fizeram sentir um pouco por todo país e cujos estragos ainda se fazem sentir, associado aos níveis de erosão nas duas partes do rio, pelo que é uma questão do inteiro conhecimento das autoridades governamentais, embora assim, os populares não param de pedir para que aquela infra-estrutura seja reposta porque esta a causar problemas sérios do ponto de vista de mobilidade de pessoas e bens.

A Reportagem do Semanário Txopela esteve no local na manhã desta terça-feira (22) e pode ver no terreno como as pessoas arriscam suas vidas para atravessar de Quelimane à Madal e vice-versa. O exercício é arriscado e receia-se que tarde ou cedo sejam reportados casos de pessoas que perderam a vida ou por que tombaram na água ou por um outro motivo.

Mira Manuel, é estudante da 10ª classe da Escola Secundária de Maracua em Madal e disse em entrevista que dias sem conta já foi obrigada a faltar a escola por conta da ponte que não oferece condições seguras de transitabilidade, porque segundo avançou há vezes em que a maré sobe e as águas correm por cima da ponte impossibilitando assim a passagem e quando muito deve se recorrer a uma pequena embarcação que tem estado posicionada naquele local e para o efeito deve pagar 10 meticais. “A situação da ponte está mal, quando a água enche passamos de canoa. Há vezes em que somos obrigados a faltar as aulas, até os professores não conseguem ir a escola e isso nos preocupa. Nós queremos que a ponte esteja bem para que possamos passar bem”, – disse.

Leia:  ZAMBÉZIA: Sector de saúde aloca meios circulantes para “dias de tosse”

Argentina Marcelino é residente no bairro Saguar em Quelimane é professora e lecciona no Posto Administrativo da Madal. Esta narra o drama que tem passado sempre que vai ao serviço a aponta que a situação é bastante complicada. “As vezes chegamos aqui e encontramos água sobre a ponte na maré alta, somos obrigados a esperar até que baixe e só depois passamos e isso leva-nos muito tempo. Eu gostaria que o governo encontrasse uma solução imediata para esta ponte, porque além de estar a colocar em causas as actividades das pessoas, aqui as pessoas podem morrer um dia, porque como pode ver, para eu puder passar com minha mota tive que ser ajudada por pessoas porque sem ajuda posso cair aqui e morrer. As pessoas mais velhas devem ser guiadas pelo braço para atravessar, então algo deve ser feito”, – apelou.

Argentina explicou ainda que gasta mensalmente cerca de 400 meticais para os que a ajudam a empurrar sua motorizada naquela ponte um valor que segundo disse é gasto desnecessariamente e que se a ponte estivesse em condições não haveria motivos para tal gasto.

Luís Chabane, jovem de 17 anos que todos os dias se faz ao local para apoiar as pessoas que por ali passam com bagagens, disse que diariamente consegue cerca de 50 meticais e feitas as contas, mensalmente consegue 1500 meticais dos que ali passam.

Este disse ainda que tem assistido casos tristes, principalmente de menores de idade, mulheres grávidas, mulheres com bebés ao colo e pessoas da terceira idade que passam com muitas dificuldades por aquela ponte e que se não recebessem ajuda de pessoas em troca de 10 meticais, segundo disse, o pior já teriam acontecido.

Leia:  Agricultores de Nangoela solicitam maior colaboração do Governo

“Um dia já caiu alguém aqui e nos tínhamos que correr fazer uma corda e lançar para lhe resgatar e se não estivéssemos por perto aquela pessoa teria morrido, por isso essa ponte tem que ser reparada o mais rápido possível”, – disse o nosso interlocutor que pediu intervenção de quem é de direito.

Tal como os outros entrevistados, Mago Bobone, comerciante que pratica sua actividade comercial no Posto Administrativo de Madal, disse que são difíceis as condições de transitabilidade e que não deixa de fazer sua actividade por uma questão de sustentabilidade da sua família e a necessidade de ajudar os moradores com produtos da primeira necessidade.

“Nós estamos a arriscar nossas vidas aqui, não tenho muita coisa a dizer, só pedir ao nosso governo para ver esse problema, não pode esperar morrer pessoa para fazer alguma coisa, seria bom fazer algo antes de acontecer acidente”, – apelou.

Sabe-se no entanto que há uma via alternativa feita do lado de Marabo, mas as pessoas não aderem pelo facto de ser distante e preferem arriscar por aquela ponte em péssimas condições pelo facto de ser mais acessível do ponto de visita de encurtamento da distância. (Jacinto Castiano)

 

LIVRE & INDEPENDENTE

© Jornal Txopela, 2017
Todos os direitos reservados
Fundado em 2014

REGISTO Nº 01/GABINFO-DEC/2016. © AFRO MEDIA COMPANY
Ir para a barra de ferramentas