HIV SIDA continua a matar milhares de pessoas na Zambézia

Quelimane (Txopela) – A pandemia do HIV-SIDA continua sendo uma grande preocupação se saúde para as autoridades governamentais na província da Zambézia e um dos factores que tem estado a retardar o desenvolvimento da mesma e do país de um modo geral.

O dado foi apresentado esta quinta-feira 01 de Dezembro, Dia Mundial de Luta Conta SIDA, cujas cerimónias centrais ao nível da Zambézia tiveram lugar no distrito de fronteiriço de Milange.

“O HIV-SIDA é um grande problema de saúde pública cuja prevalência na Zambézia situa-se 12,6%, isto é, em cada 100 pessoas 12 estão infectadas pelo HIV”, – disse Hidayat Kassim director provincial da saúde da Zambézia e continuou, “os doentes internados nas nossas enfermarias, nos hospitais, centros de saúde identificamos que mais de 60% estão internados por complicações do HIV-SIDA. Quando fazemos uma avaliação dos óbitos ao nível dos centros de saúde, verificamos que mais de 30% são devido o HIV-SIDA”, –Kassim explicou para depois realçar que os indicadores mencionados constituem uma grande preocupação para as autoridades sanitária.

Por seu turno Victor Manuel Nordez do Núcleo Provincial de Combate ao HIV na Zambézia, disse na sua intervenção que a pandemia do HIV afecta maioritariamente adolescentes e jovens dos 15 a 24 anos de idade sendo superior na camada feminina.

A fonte explicou que continuam factores de risco a pratica de relações sexuais com muitos parceiros de forma desprotegida, o fraco conhecimento de métodos de prevenção, alta mobilidade da população nos corredores de desenvolvimento, baixo uso do preservativo masculino e feminino e ainda o baixo índice de circuncisão masculina abarcando outros factores.

Razak insta para mudança de comportamento

Entretanto, o timoneiro da Província da Zambézia Abdul Razak que orientou as cerimónias de celebrações do Dia Mundial de Luta Contra SIDA 1 de Dezembro, sublinhou que os comportamentos desajustados é que estão muitas vezes na origem dos índices alarmantes desta doença, pelo que, cada cidadão deve tomar consciência no sentido de primeiro ter uma única parceira/o para os sexualmente activos e os que ainda não estão na fase sexual que abstenham-se ou seja aguardem para o momento próprio.

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Por outro lado os que estão infectados e que já sabem o seu estado não podem manter relações sexuais com outras pessoas para infecta-las propositadamente, que esta atitude é condenável e explicou que há necessidade de fazer a testagem para saber o estado serológico como forma de melhor se posicionar face a uma possível infecção ou não.

Sendo Milange uma zona fronteiriça, o governante chamou atenção para a necessidade de muita prudência para as trabalhadoras de sexo, operários envolvidos nas construções e ou reabilitações de pontes e estradas, camionistas entre outros que pela natureza da sua actividade possam ser considerados como sendo um grupo vulnerável.

Um outro ponto descrito por Razak é a necessidade do não abandono do tratamento anti-retroviral, pois segundo disse não se pode viver no comodismo de que a pequena melhoria que se adquire depois de um período de consumo destes medicamentos se confunda com o fim da doença. “O tratamento anti-retroviral, não cura o HIV apenas reduzes o nível de reacção do vírus possibilitando uma vida digna e saudável a pessoa portadora da doença”, – acautelou.

Razak acautelou também que a circuncisão masculina reduz sim em cerca de 60% as possibilidades de apanhar o HIV mas isso não significa que a pessoa circuncidada não apanhe o vírus, portanto, “não se pode ter falsa sensação de que estamos a fazer tratamento, fizemos circuncisão masculina e não vamos infectar nem ser infectados, isso não é verdade” – disse.

Uma das formas para evitar a contaminação do HIV avançadas pelo governador da Zambézia, é a fidelidade, ou seja ter um/a e único/a parceiro/a.

“Podemos ainda ser mais cautelosos, podemos namorar sem fazer sexo, há muitas formas de namorar sem fazer sexo, só podemos fazer sexo quando estamos realmente preparados, isto é deve-se atrasar actividade sexual principalmente nas meninas que mais facilmente podem estar infectadas”, disse sem no entanto descartar a possibilidade de os homens também serem vulneráveis ao HIV quando fizerem sexo prematuro e sobretudo desprotegido.

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O governante assegurou que o governo coadjuvado pelos parceiros de cooperação tem vindo a trabalhar afincadamente para que os índices desta doença reduzam e como exemplo disse é o investimento que tem vindo a ser feito na área da saúde.

“O número de unidades sanitárias que proporcionavam testagem e tratamento do HIV em 2013 eram 103 e passou para 211 em 2016, igualmente o número de pessoas que fazem tratamento anti-retroviral aumentou em 23% de 2015 para 2016 e actualmente são 36 000 pessoas fazendo este tratamento, dentre elas, 3200 crianças”, – avançou.

Dados oficiais apontam que Zambézia é a sexta província com níveis mais altos de sero-prevalência do HIV-SIDA ao nível do país.

Refira-se que este ano o Dia Mundial de Luta Contra SIDA foi celebrado sob lema, Por Amor a Vida Protejo-me do HIV e SIDA. (Jacinto Castiano)

 

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