EDITORIAL: Não podem ficar impunes

CAPA31-300x222 EDITORIAL: Não podem ficar impunesA actual onda de assaltos em quase todos os distritos da Província da Zambézia, os casos recentes reportados que aconteceram por mais de três distritos onde indivíduos munidos de instrumentos contundentes romperam o silencio da madruga para saquear e matar cidadãos choca pela ousadia, pela brutalidade e pela força empregada. E como sempre a posição da Policia da Republica de Moçambique deixa a desejar quando não consegue oferecer os cidadãos destas circunscrições geográficas sossego e segurança a eles e aos seus filhos, não raras vezes a promessa é a mesma “estamos a trabalhar”. Todo crime merece repúdio e a devida punição, mas o que acontece nas barbas da sociedade civil e outros grupos é arrepiante, ladrões e bandidos que quando neutralizados ficam meia hora nas celas e são soltos – resultado esta a fomentar-se actos de guerra urbana, linchamentos estão a ganhar terreno.

A dimensão dos ataques e sua organização são um indicativo claro de que Zambézia tem hoje no crime organizado um dos seus principais desafios. Nas cadeias e nas ruas, os integrantes dessas organizações têm causado temor à população e desafiadas as autoridades.   Desafio directo, inclusive, às autoridades policiais. Faz-se urgente uma estratégia de acção que permita ao Estado enfrentá-las e cortar o seu domínio – sob risco, se assim não o fizer, de vermos actos cada vez mais brutais e desafiadores. Ontem foram cidadãos, comerciantes e famílias com pequenos pertences que sofreram o golpe e o objectivo era roubar – amanhã pode ser por vingança de alguma coisa ou para aterrorizar a população ou as instituições. O poder de fogo demonstrado pelos bandidos mostra o risco que representa.

Acontecimentos como estes que temos vindo a reportar sob olhar impávido e sereno da Policia da Republica de Moçambique agridem, primeiramente, suas vítimas directas, em seguida todos nós. Têm o poder ainda de disseminar na sociedade inteira a sensação de insegurança – aquela angústia de que cada cidadão está à mercê de alguma agressão a qualquer momento.   Mesmo quando a situação não se encontra nesse estágio, é esta a sensação que pode se espalhar.

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Daí ser necessário que os bandidos não fiquem impunes. O crime organizado é problema a ser solucionado a longo prazo; mas ataques a alvos selectivos ou não como estes que estamos a registar cobram resposta no curto prazo. Não é possível que uma tão grande quantidade de marginais não tenha deixado rastros.   Não temos dúvidas que no curso da investigação a polícia descobrirá suas identidades e chegará até eles.   Isso é importante não só dada a periculosidade deles, mas também porque a impunidade é estímulo para outros criminosos.   É preciso uma reacção enérgica e eficaz, capaz de demonstrar que estamos sob o primado da Lei. Os ladroes, assassinos e todas as forças que colaboram com eles não podem ficar impunes.

 

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