Fé e Razão caminham juntos (I): Teologia é Antropologia

IMG_2878-300x200 Fé e Razão caminham juntos (I): Teologia é AntropologiaExiste uma ligação ou unidade clara entre o finito e o infinito, mas esta ligação deve ser percebida baseando-se no homem.

“Feuerbach admite com Hegel a unidade entre o finito e o infinito, mas em sua opinião, essa unidade não se realiza em Deus ou na ideia absoluta mas sim no Homem. E, a religião sempre desempenhou um papel fundamental na história do Homem concreto” (Abbagnano, 1970: 45).

A Filosofia não tem a função de negar a religião, mas compreendê-la que a consciência que o Homem tem de Deus é a consciência que o Homem tem de si, o Homem põe suas qualidades, suas aspirações e seus desejos fora de si, afasta-se, aliena-se e constrói sua divindade.

Feuerbach argumenta que “a religião origina de um processo de hipostalização das necessidades e das ideias do homem: o homem projecta todas qualidades positivas que tem em si numa pessoa divina e faz dela uma realidade subsistente, capaz de suprimir às suas necessidades e as suas próprias lacunas” (Mondin, 2004:80).

Feuerbach diz que é preciso levar a sério o texto religioso para desprender o seu sentido o que é Deus. Nada mais que a essência humana apresentada na imaginação como uma realidade exterior. Todas as características atribuídas a Deus não são nada mais que as características do homem enquanto ser pensante. A divisão entre o homem e Deus não é nada mais que a divisão do homem consigo mesmo (Cf. Collin, 2008:32).

A religião é a relação que o homem mantém com a sua própria essência, aí se encontra a sua verdade e a sua potência moral de salvação, porém com sua essência não enquanto ela é a sua, mas enquanto uma essência outra, distinta dele, oposta a ele, ai se encontra a sua falsidade, sem limites, sua contradição com a razão e a moralidade; aí a grande fonte dos males do fanatismo religioso, aí o princípio maléfico supremo dos sacrifícios humanos sangrentos, sumarizando, fundamento primordial de todas as abominações de todos os espantosos como da tragédia da história religiosa (Cf. Mondin, 1980:220).

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A religião, pois, é a projecção da essência do homem: Deus é o espelho do homem, afirma Feuerbach. Na oração, o homem adora seu próprio coração; o milagre é o desejo sobrenatural realizado; dogmas fundamentais do cristianismo são desejos realizados do coração.

A tese feuerbachiana sobre a religião (teologia) é a evidência clara de que o núcleo secreto da mesma (teologia) é Antropologia.

“O homem desloca seu ser para fora de si antes de encontrá-lo em si. E esse encontro, essa aberta confissão ou admissão de que a consciência de Deus nada mais é do que a consciência do homem. Assim, todas as qualificações do ser divino são qualificações do ser humano: o ser divino é unicamente o ser do homem libertado dos limites do indivíduo, isto é, dos limites da corporeidade e da realidade, mas objectivado, ou seja, contemplado e adorado como outro ser, distinto dele (Reale & Antiseri, 2005: 157).

Feuerbach procura responder a seguintes questões: porquê o homem se alheia, por que constrói a divindade sem nela se reconhecer? Porque o homem encontra uma natureza insensível a seus sofrimentos, porquê tem segredos que o sufocam; e, na religião, alivia seu próprio coração oprimido?” (Reale& Antiseri, 2005:158) e continua dizendo que, Deus é uma lágrima de amor derramada no mais profundo segredo sobre a miséria humana.

Na sua visão, Feuerbach substitui o Deus do céu por outra divindade, o verdadeiramente Homem ou seja, de corpo e sangue como ele mesmo designa. E, assim, pretende substituir a moral que recomenda o amor a Deus pela moral que recomenda o amor ao Homem em nome do Homem.

A intenção do humanismo feuerbachiano é de transformar os Homens de amigos de Deus em amigos dos Homens, de Homens que crêem em Homens que pensam de Homens que oram em Homens que trabalham. O pensamento de Feuerbach não pretende suprimir a religião, que, aliás, ele considera necessária por enquanto torna presentes ao homem os seus ideais, mas sim que ele se propõe colocá-lo em estado de alerta contra as ilusões causadas por ela, em particular contra a ilusão de conceber o ser no qual se hipotetizam os ideais de homem como se fossem estranho ao homem, e ainda como se fosse algo de existente em si mesmo. Essa é, de facto, para Feuerbach, a grande fraqueza da religião é a causa de todos os erros e fanatismos […].

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Jacinto Castiano 

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