Frelimo desviou-se dos ideais de Mondlane -Manuel de Araújo

“É necessário resgatar os ideais de Mondlane para que Moçambique se reencontre. Moçambicanos não podem ser carnes para o canhão!”

 

Jacinto CastianoManuel-de-Araujo-Quelimane-300x110 Frelimo desviou-se dos ideais de Mondlane -Manuel de Araújo

Quelimane (Txopela) – O Presidente do Conselho Municipal de Quelimane, Manuel de Araújo, defende a necessidade de se repensar com profundidade sobre os ideais de Eduardo Mondlane, Arquitecto da Unidade Nacional.

Araújo expressou este posicionamento em declaração à jornalistas na Praça dos Heróis Moçambicanos, no âmbito das celebrações do Dia dos Heróis Moçambicanos.

“O que é que Mondlane queria, porque é que deu a sua vida, quais eram os objectivos que norteavam a visão política de Mondlane, será que cada um de nós está a seguir o sonho de Mondlane, será que o nosso governo esta a trilhar pelos caminhos de Mondlane, as dívidas ocultas que existem são dívidas que se Mondlane estivesse vivo nós não teríamos cometido, será que a guerra que tema em continuar no nosso território nacional fazia parte dos ideais de Mondlane, a existência dos esquadrões de morte fazia parte de Mondlane?”,

Foram com estas inquietações que Manuel de Araújo, um dos políticos mais proeminentes na actualidade pediu para que os moçambicanos de todos os extractos sociais se questionassem sobre o futuro que se deseja construir, advogando que são teses a serem respondidas individual e ou colectivamente, para a posterior encontrar-se o fio norteador dos ideais de Mondlane e por conseguinte posicionarmo-nos adequadamente como um povo e uma nação.

O autarca considera que o grande desafio que Moçambique, actualmente enfrenta prende-se com o alcance da paz, reconciliação nacional e consolidação da democracia. Araújo entende que muitos dos sonhos de Mondlane estão a ser frustrados.

“Mondlane queria a libertação da terra e dos homens. A pergunta que faço hoje é, estarão os homens livres? Estará Moçambique livre? O que é liberdade? Ser livre é poder viajar do Rovuma ao Maputo sem nenhum impedimento, ser livre é poder acordar e ter pão na mesa, é poder dizer o que lhe vai na alma, no cérebro e sobretudo aquilo que é o seu ideal”

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Num outro passo, o Manuel de Araújo reconheceu que alguns feitos de Mondlane foram sim conseguidos mas há questões que deviam ter sido conseguidas também

Conseguimos a independência nacional mas não conseguimos a liberdade, conseguimos ter a terra mas a mesma está-nos a ser arrancada, não temos liberdade de dizer aquilo que pensamos, se pensas de maneira diferente, os esquadrões da morte no mesmo dia ou dia seguinte tiram-te a vida”,

Disse De Araújo, para depois sublinhar, esses não eram os sonhos de Mondlane, essa não era a trajectória que Mondlane sonhava para o povo moçambicano e para a República de Moçambique”.

Questionado Araújo, sobre o papel dos partidos da oposição na valorização dos ideais dos heróis nacionais, este disse que era de recordar os ideais de Mondlane, pois segundo suas próprias palavras, Mondlane sonhava com uma democracia, sonhava com um Moçambique livre, com o bem-estar do povo, sonhava com um parlamento onde de facto, se exerce a fiscalização das actividade do Governo e não onde se legitimavam os interesses de um pequeno grupo.

Manuel de Araújo foi mais longe ao apontar dentre outros, problemas de má nutrição, fome generalizada, crianças aprendendo em condições desfavoráveis, 40.000 candidatos para 5000 vagas no ensino superior, como os que não faziam parte do plano de Eduardo Mondlane.

A entrada dos jovens nos Institutos e ou Universidades de acordo com as capacidades de cada um era parte do plano de Mondlane, disse o autarca, numa alusão hipotética dos níveis alarmantes de extorsão e corrupção existentes no país.

Araújo, entende que os escritos de Mondlane devem ser lidos e neles veremos o quão é importante a semelhança na diversidade.

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No 1o Congresso da Frelimo houve candidatos, Mondlane ganhou as eleições quem ficou em segundo lugar foi colocada como vice-presidente da Frelimo, portanto, ele aceitava os outros. No 2o Congresso idem, Urias Simango não concorreu para ser vice-presidente da Frelimo, concorreu sim como Mondlane para ser presidente não tendo ganho essas eleições foi possível coloca-lo como vice-presidente, o que é que isso nos mostra? Isso nos faz entender que ele sabia conviver com a diferença e acima de tudo trabalhar com a diferença. Ele não via quem pensa diferente, como um inimigo a abater”.

Manuel de Araújo, diz ser imperioso o resgate dos ideais de Mondlane para que Moçambique se possa reencontrar, sob pena de se estar em guerras cíclicas ou seja, paz intermitente.

Sobre a trégua em vigor, o edil de Quelimane, diz que os moçambicanos esperam algo definitivo.

Nós moçambicanos não podemos ficar a espera que a trégua acabe, cada um de nos deve fazer o que estiver ao seu alcance para que esta trégua seja infinita, o povo moçambicano já sofreu de mais. Tivemos 10 anos de guerra de libertação nacional, tivemos mais 16 de guerra civil, guerra no tempo de Guebuza, houve acordo, agora outra, o povo moçambicano não pode ser carne para o canhão consumir”, concluiu Manuel de Araújo. #

 

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