ZAMBÉZIA: Confirmadas mais de uma centena de mulheres com fístulas obstétricas

Confirmadas mais de uma centena de mulheres com fístulas obstétricas

 

Mulheres-Zambezia-300x169 ZAMBÉZIA: Confirmadas mais de uma centena de mulheres com fístulas obstétricas

IMAGEM- DW

Quelimane (Txopela) – Um total de 118 casos de fístulas obstétricas foram confirmados pelas autoridades sanitárias ao nível da província da Zambézia só no ano 2016. A informação foi revelada por Maria Rosa, Supervisora da área de SMI (Saúde Materno Infantil) na (DPS), Direcção Provincial da Saúde da Zambézia, em entrevista exclusiva ao Jornal Txopela na manha desta terça-feira (21).

Mesmo sem passar dados estatísticos, a nossa entrevistada referiu que o número acima mencionado, representa uma subida da doença, e facto esta a preocupar o sector da saúde. A Fistula obstétrica é resultante da complicação de um parto arrastado que geralmente é feito ao nível da comunidade. Trata-se essencialmente de continuidade entre o canal vaginal e recto ou seja, entre bexiga e a vagina, permitindo a saída da urina sem “consentimento” da dona, ou ainda, a saída das fezes pela mesma (vagina), porque existe uma abertura que dá comunicação entre estes órgãos, explicou a Dra. Maria Rosa.

A fonte refere que pouco ou nada se faz ao nível de uma unidade sanitária periférica para dar resposta a um problema de fistula já confirmado, pois a sua correcção carece de uma intervenção cirúrgica.

Entretanto, decorre desde 2013, campanhas de reparação da doença e no entanto, há duas componentes a serem aprimoradas, nomeadamente, treinamento dos profissionais de saúde ao nível dos distritos, particularmente nos pontos onde há blocos operatórios, para que tenham capacidades de oferecer aos pacientes um acompanhamento de rotina.

“Reparação de fístula é um procedimento muito delicado, mesmo que seja pessoa licenciada em cirurgia, precisa de uma capacitação específica”, – referiu a fonte.

Em 2016 findo, os distritos autárquicos de Alto Molocué e Gurué, na província da Zambézia, Centro de Moçambique, beneficiaram-se de campanhas de tratamento da doença, que acoplou um grande movimento de mobilização social correlação aos cuidados a ter com a doença e isso abrangeu os distritos circunvizinhos destes, apuramos.

Existem 22 mulheres confirmadas que vivem com fístula obstétrica sem esperança de cura.

A quando da campanha havida em Alto Molocué, disse a nossa interlocutora, 109 mulheres do mesmo distrito e outras oriundas dos distritos de Ile e Gilé, foram observadas e destas, 74 tinham, efectivamente, problema de fistula obstétrica e dos casos confirmados, 14 estavam num estado bastante avançado “fistulas grandes”, e incorrigíveis através de uma campanha, assim, tiveram que ser transferidas para o então Hospital Provincial de Quelimane, para um tratamento mais minucioso. Das 74 mulheres confirmadas ter fistula, 35 foram operadas com sucesso em Alto Molocué e o restante número ainda vivem com o problema.

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Já no distrito de Gurué, apresentaram-se 50 mulheres e destas, 44 tinham fistula, 36 foram reparadas e as restantes 8 não reparáveis, pela sua gravidade, portanto, na Zambézia existem 22 mulheres confirmadas que vivem com fístula obstétrica sem esperança de cura.

Num outro desenvolvimento, a nossa interlocutora explicou que a não reparação da fístula não tem há ver apenas com o tamanho da lesão mas há outros aspectos que são tomados em conta como é o caso da idade da mulher, tempo em conta que convive com o problema, sua imunidade e se é anémica ou não.

Pedida para falar dos mecanismos de atenuação, a fonte disse que, “as pacientes de fistula cuja situação é considerada grave, são dadas um tratamento atenuante, diga-se, para evitar dor e passam por um aconselhamento, pois o problema é irreversível”,- disse.

Questionada sobre os motivos que podem estar por de trás do surgimento de uma fistula obstétrica, a nossa interlocutora referiu serem vários “se formos a ver maior parte das fistulas surgem em adolescentes, como resultado de um trabalho de parto prolongado, de tanta pressão que a mulher sofre durante o parto, para um bebé que praticamente a cabeça não é compatível com o canal aonde vai passar e este parto esta sendo feito numa comunidade”, – disse para de seguida deixar um conselho principalmente para as meninas que nunca passaram por um trabalho parto, para que aproximem as unidades sanitárias, em casos de querer fazer um parto, pois lá puderam ter acompanhamento de pessoas especializadas na matéria e em casos de complicação saberão encaminhar em tempo útil e assim evitar males maiores. “Veja que no ano 2016 muitas mulheres morreram em trabalhos de parto entre elas metade foram adolescentes e jovens e isto é resultado de partos fora das unidades sanitárias e aquelas que resistem ao ponto de chegar ao hospital, são na suas maioria as que são mapeadas com estes problemas. Ficam três dias experimentando um, parto, a pressão da cabeça do feto vai criando lesões ao nível dos tecidos da vagina e com tempo cria neurose, morrem as células e de seguida rompe”.

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Num outro passo a nossa interlocutora avançou que, uma das medidas mais seguras para evitar a doença e fazer partos hospitalares e em casos de complicação dar-se um tratamento adequado o mais rápido possível.

O maior risco está nas meninas que experimentam os partos com idade inferior aos 16 anos e altura menos que 1,5 metros, pois o tamanho da bacia é directamente proporcional a altura e se for de baixa estatura como foi referido anteriormente, pode dar varias complicações durante trabalhos de parto. À estas “mulheres” pode haver ainda mais complicação caso tenham um bebe de 2.500 a 3.500g, que são grandes, ainda pior se o parto for fora maternidade, com pessoas não treinadas, nesse caso vertente, a mãe, a sogra ou uma parteira tradicional.

Aconselhar as adolescentes e jovens a sua preocupação primordial seja estudar, estudar mais. Adiar o sexo para mais tarde e para as que já iniciaram actividade sexual usem métodos anticonceptivos, para que atinjam primeiro a maturidade sexual-reprodutiva. Temos depoimento de meninas que estavam a estudar, foram enganadas, saíram da carteira, engravidaram e culminou com uma fístula, felizmente algumas já foram tratadas, estão bem e vão retornar à escola, mas são situações que devem ser evitadas”, – concluiu.

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