Encontro em Gorongosa entre Nyusi e Dlhakama, a única novidade é só o lugar- Miguel Luis

Miguel-Luis-260x300 Encontro em Gorongosa entre Nyusi e Dlhakama, a única novidade é só o lugar- Miguel Luis

Miguel Luís, estudante moçambicano de Direito em Lisboa, Portugal

Na tarde do domingo (06 de Agosto de 2017), circularam de uma forma viral imagens de dois homens supostamente na Serra da Gorongosa muito conhecidos pelos moçambicanos, o Presidente Nyusi e Afonso Dlhakama. Se não tivessemos em conta o actual cenário político, possivelmente seria mais uma foto. Não sendo mais uma foto é possível tirar desta imagem várias ilações. Dentre as quais se destaca a evolução de mais um processo de negociações que já vem acontecendo há muito tempo.

É normal e natural que todos nos alegremos por este encontro e parabenizemos os dois líderes pelos avanços que o diálogo político tem trazido nos últimos tempos, mas também é expectável que todos nós olhemos este encontro com serenidade e uma análise mais racional. Se fizermos uma análise regressiva veremos que houve no passado encontros semelhantes, embora não tendo havido deslocação do Presidente da República à Gorongosa. Tivemos acordos, alguns mais recentes e na véspera do processo eleitoral e ao cabo de tudo as relações azedaram, os que se chamavam irmãos perseguiram-se e o povo moçambicano voltou a ser o capim que sofre quando dois elefantes lutam.

Este processo cíclico, do qual já fiz menção numa outra intervenção, é o que me faz olhar este todo cenário com receio e questionar a razão da euforia por parte de algumas pessoas. Os historiadores propalam nas suas intervenções que devemos estudar a História para “conhecer o passado, compreender o presente e perspectivar o futuro” será que nós como moçambicanos o temos feito quando tentámos resolver os nossos problemas ou fazemos as nossas análises?

Não quero ser pessimista, muito menos tirar o mérito a quem quer que seja, mas vejo neste processo um teatro cuja vítima é povo moçambicano. Quando o assunto é político, a primeira leitura que se deve fazer dos factos é que estes têm uma causa que que sempre anda intimamente ligada com a maximização dos votos numa eleição futura, Buchanan, Tullock e todos os defensores da Teoria da Escolha Pública que testemunhem… Estamos na véspera do congresso da FRELIMO, que pode decidir se Nyusi concorrerá ou não para o segundo mandato, estamos na véspera das eleições autárquicas, e mais tarde das presidenciais e legislativas, “meia palavra basta para um bom entendedor”. Se for para levar este processo negocial a sério que não seja para resolver uma zanga momentânea, mas sim para evitar zangas futuras e interrompam este ciclo que pouco beneficia a democracia do país. Mais não digo, senão ainda dizem que estou a fomentar a discórdia nacional! Miguelluís

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