A Frelimo precisa de encontrar no congresso, uma oportunidade para construir uma nova utopia — Jessemusse Cacinda

Jessemusse-Cacinda1-300x300 A Frelimo precisa de encontrar no congresso, uma oportunidade para construir uma nova utopia — Jessemusse Cacinda

Jessemusse Cacinda (Jornalista)

Em seu livro, The soul of Man under socialism, Óscar Wilde, argumenta que
“um mapa do mundo que não inclui a Utopia não vale a pena olhar, pois deixa por fora o único país em que a Humanidade está sempre desembarcando”. O escritor irlandês, explica assim, o curso da humanidade que está intimamente ligado a realização das utopias, ou seja, temos de ter um país onde queremos pousar e quando já lá estamos, nos lançamos numa nova viagem, para que cheguemos noutro, e assim sucessivamente. A humanidade morre quando já não se tem uma utopia.

Quando em 1962 criou-se em Dar-es-salam, a Frelimo – Frente de Libertação de Moçambique, como um movimento que iria desencadear a libertação do território do jugo colonial português e instituir um país, havia uma utopia, que se pretendia realizar. Os inimigos de Platão, terão seguramente dito, naquela altura que este projecto era, irrealista, mas a verdade é que perdurou e conseguiu se chegar ao destino.

Chegados ao destino, foram construídas novas utopias, se calhar muito na azáfama do socialismo que tem uma base utópica muito forte. Estas utopias, terão levado a que alguns erros tivessem sido cometidos, porque queria acima de tudo se chegar ao fim e realizar tal utopia, de uma nação em progresso.

O certo é que com as transformações sociais e políticas havidas em Moçambique, a Frelimo teve, de partilhar o território com outros partidos políticos, o que a obriga de reinventar-se face aos desafios que a ela colocaram-se, tendo conseguido construir uma mensagem que foi fisgando o público e a levou a manter-se, até hoje no poder.

E como a utopia tem que ver com a possibilidade de um futuro melhor, na qual todos devamos estar juntos, parafraseando um slogan da campanha do presidente, Joaquim Chissano, nas eleições de 1999, estamos aqui, para propor que o partido adopte novas formas de ver o futuro.

Leia:  "Comandante macaco″ foi abatido pela polícia

Estamos num momento em que o discurso formal apresentado pelos dirigentes da Frelimo, encontra alguma resistência para atrair o público jovem a juntar-se ao movimento, prova disso, são os comícios e celebrações na praça dos heróis, que tem de a perder cada vez mais público.

Estas questões demonstram que a mensagem que norteia o discurso da Frelimo, como um partido e a sua estratégia dirigente, precisa de ser actualizada, ou dito de outra forma, a utopia que vem sendo pregada está caduca e precisa de reformular-se e o congresso é uma oportunidade para isso.

O congresso é também uma oportunidade para consolidar o papel do partido Frelimo na sociedade, pois não restam dúvidas de que, é a única formação política que apesar dos aspectos acima arrolados, continua a ser o partido do povo moçambicano.

Há que capitalizar isso, questionando por dentro, o que significa ser um partido do povo moçambicano. Seguramente, que a resposta a esta questão passa pelo conhecimento dos problemas, dos anseios, das esperanças e sonhos, mas também das frustrações do povo moçambicano.

Aos congressistas, fica evidente tamanha responsabilidade que têm, uma vez que as suas decisões não mechem apenas com a estrutura de um partido, mas de todo um país.

 

LIVRE & INDEPENDENTE

© Jornal Txopela, 2017
Todos os direitos reservados
Fundado em 2014

REGISTO Nº 01/GABINFO-DEC/2016. © AFRO MEDIA COMPANY
Ir para a barra de ferramentas