AS ELEIÇÕES DE 2017 E A DEMOCRACIA EM ANGOLA – DANILO TIAGO

Danilo-Tiago-240x300 AS ELEIÇÕES DE 2017 E A DEMOCRACIA EM ANGOLA – DANILO TIAGO

Danilo Tiago

Definir o conceito de democracia nos dias que correm é uma tarefa que acarreta o necessário cuidado sob pena de se cair no ridículo de afirmar inverdades no lugar das verdades, mesmo sabendo que não há verdades absolutas.

É que do conceito clássico de democracia explorado por doutrinários de craveira incontestável, filósofos, politólogos e outros cultores das ciências sociais no geral e de modo particular da Ciência política, o conceito de democracia parece mudar com a dinâmica das sociedades. Dependendo do regime do dia, este pode agir como se democracia se tratasse, enquanto é um regime autoritário coberto sob o manto da democracia.

Quando se fala de eleições legislativas e presidenciais num determinado Estado a nível do planeta a primeira impressão que se tem é a de que tal Estado é Democrático, isto é, o poder reside no povo, o povo tem autonomia de escolher os seus dirigentes.

Mas nem sempre eleições significam democracia, exemplos não faltam. É só reparar pelo Irão, pela China onde a democracia é aparente, mas na verdade vigora nos Estados supra mencionados tudo excepto a Democracia.

Depois de quase Quatro décadas no Poder num regime quase de partido único, José Eduardo dos Santos, um septuagenário, tido como um dos Estadistas que permaneceu por um período longo nos destinos de um Estado, finalmente decidiu abandonar o poder.

Os seus correligionários decidiram então que o Candidato a sua sucessão e consequentemente candidato as Eleições Presidenciais de 2017 em Angola fosse o General João Lourenço. Há quem diga que João Lourenço foi apontado a dedo e sob indicação de José Eduardo dos Santos por ser um homem da sua confiança.

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Seja como for, João Lourenço “era o homem que se seguia”, o Candidato a ocupar o lugar de terceiro Presidente da República de Angola depois de Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos, numa Angola martirizada pela guerra civil, numa Angola em que o fosso entre ricos e pobres é cada vez mais gritante.

As eleições foram marcadas para o dia 23 de Agosto do corrente ano. Antes da realização das eleições houve campanha eleitoral cujo objectivo era a divulgação dos manifestos eleitorais dos Candidatos e a respectiva caça ao voto.

Para a corrida eleitoral três foram os principais candidatos e cabeças – de lista que representaram os respectivos partidos: Para o Movimento Popular de Libertação de Angola, MPLA concorreu o Candidato João Lourenço, União Nacional para a Independência Total de Angola, – UNITA concorreu o candidato Isaías Samakuva, para a Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral, CASA – CE, concorreu o Candidato Abel Chivukuvuko.

Os resultados provisórios divulgados pela Comissão Nacional de Eleições logo a seguir a realização das eleições conferiram 61% de votos ao MPLA e a consequente eleição do Candidato João Lourenço para o posto de Presidente de Angola.

A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) conta com 26, 72% da totalidade dos votos até então.

Os últimos dados provisórios atribuem a Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA – CE) 9,49% dos votos ate então escrutinados.

São resultados unanimemente contestados pela oposição, quer Isaías Samakuva o cabeça de lista da UNITA bem como Abel Chivukuvuko que representa a coligação Eleitoral CASA – CE contestam os resultados.

Segundo Isaias Samakuva em entrevista concedida a Lusa declarou que “o país ainda não tem resultados eleitorais válidos. O país ainda não tem um Presidente eleito nos termos da Lei”.

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Sem o recurso ao fantasma da fraude e seja como for, é preciso tirar algumas ilações das recentes eleições havidas em Angola.

A pressa da CNE em divulgar os resultados eleitorais cria suspeita em qualquer um. Os resultados das contagens paralelas em momento algum são consentâneos com os resultados divulgados pela CNE o que faz crer na existência de um eventual fantasma da fraude. Em Estados verdadeiramente democráticos, são prescindíveis contagens paralelas, bastando apenas as oficiais, não há o receio de fraude. Só há contagens paralelas em Estados cuja democracia é aparente e não real.

O povo exige mudanças, ainda que os candidatos e/ou cabeças de lista mudem enquanto o regime se mantiver o mesmo o risco é de o povo promover a mudança de outra forma, esta é uma das outras ilações que se deve tirar das recentes eleições em Angola.

 

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