“CASO MANHARAGUE”: Ministério Publico investiga desvio de Fundos

OBRAS DE CONSTRUÇÃO DA SALA DE EMBARQUE RECAMBA – QUELIMANE

— O Estado foi lesado em 9 milhões de meticais

— A 4 anos que a população aguarda o inicio das obras

Manharangue-e-Jornalistas-na-Procuradoria-300x200 “CASO MANHARAGUE”:  Ministério Publico investiga desvio de FundosZito Ossumane

Quelimane (Txopela) — A Procuradoria Provincial da Zambézia está a promover sessões de audição há entidades directamente ligadas ao projecto de construção de duas salas de embarque em Quelimane e Recamba em Inhassunge respectivamente. O Ministério Público investiga casos de alegados desvios de fundos do Estado, procura-se entender o destino oferecido aos 12 milhões de meticais, dos quais mais que a metade do valor foi desembolsado a favor da Bondei Construções, empresa contratada para a execução das obras pelo Governo local, contudo passados quatro anos não se verificou a construção do empreendimento, devidamente acordado entre a Direcção Provincial de Transportes e Comunicações, entidade responsável da obra e a empresa em alusão.

Ao que o Semanário Txopela apurou não há registo nas duas margens do rio dos Bons Sinais da tentativa de inicio de um empreendimento daquela dimensão, as zonas inicialmente identificadas para albergar a construção das salas continuam lamacentas como lhe é característico. O MP promete resultados o mais breve possível.

Manharage ouvido pelo MP

O Director Provincial para área de Transportes e Comunicações ao nível da Zambézia, Alberto Manharage foi ouvido recentemente pelo Ministério Publico para aclarar aos advogados do Estado moçambicano as razoes que determinaram para a não execução das obras nos prazos acordados e não haver pelo menos publicamente motivos que ditassem tal facto.

Abordado pela Reportagem do Semanário Txopela a porta de saída da Procuradoria, visivelmente abalado e nervoso aquele dirigente recusou preparatoriamente gravar declarações sobre as razoes que levaram o MP a solicitar a sua presença naquele edifício, “Vocês me conhecem, não posso falar agora”— determinou, arrastando os jornalistas para longe da porta da sua viatura.

Alberto Manharage, minutos depois terá embatido contra uma viatura no local quando tentava manobrar para retirar-se velozmente das imediações daquela instituição que lida com questões de defesa do interesse público. O Director terá amolgado a parte frontal de uma viatura de um funcionário do tribunal judicial da Zambézia e intentado uma fuga que não teve sucesso.

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MC- Arquitectos arrastada para a confusão

A moçambicana MC- Arquitectos, uma empresa do ramo de desenho e fiscalização de obras, foi convocada pela Procuradoria Provincial da Zambézia para ser ouvida na condição de declarante com o intuito de fornecer informações técnicas e como parte envolvida no problema, explicou o Director Geral da empresa, Mazuze Culpa falando ao Semanário Txopela.

Na sua saída da procuradoria na manha de terça-feira última (29) a nossa Reportagem terá tentado ouvir o arquitecto contudo este visivelmente incomodado com a situação declinou prestar declarações públicas sobre o assunto. No período da tarde em conferência de imprensa convocada para o efeito na sede da empresa que funciona no edifício da Madal em Quelimane, Culpa começou por desacreditar que o MP tenha algo contra a sua instituição e explica que a MC- Arquitectos foi solicitada para prestar informações no âmbito das investigações em curso. A MC- Arquitectos foi quem desenhou o projecto para a construção das salas de embarque Quelimane — Recamba e tendo facturado um total de três milhões de meticais ao Estado moçambicano.

Na sua locução Mazuze Culpa refere que a actual conjuntura económica e financeira que o Pais atravessa foi a principal causa que ditou o atraso do inicio das obras.

Engiarte acusa MC-Arquitectos e Manharage de apresentarem inverdades

A Engiarte uma outra empresa do mesmo ramo que procedeu na fase inicial do desígnio o desenho do projecto executivo do empreendimento que temos vindo a fazer menção, orçado em 12 milhões de meticais segundo informações prestadas pela MC-Arquitectos e o Director Provincial, Alberto Manharage tratou de desmentir ao que classificou de inverdades, Edson dos Santos Barros, sócio da Engiarte denegou que a proposta orçamental submetida pela sua empresa para a execução do projecto era de 12 milhões, tendo esclarecido de que era avaliada em mais de 40 milhões de meticais.

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Edson de Santos Barros, explica que a Direcção Provincial de Transportes e Comunicações do valor proposto recusou-se a pagar, alegadamente por insuficiência de fundos. Conta que a instituição sugeriu na altura a Engiarte a avançar com o redesenho do projecto e que fixasse os custos em 15 milhões de meticais, facto que foi prontamente recusado pela empresa de desenho e fiscalização de obras, argumentando que tecnicamente não seria factível construir um empreendimento daquele cunho com apenas 15 milhões de meticais.

A recusa da Engiarte teve repercussões, a Direcção Provincial de Transportes decidiu lançar um novo concurso público para elaboração de um novo projecto executivo, deixando de fora a Engiarte, foi neste momento em que foi apurada a MC-Arquitectos. A Engiarte está disposta para voluntariamente aproximar o Ministério Publico para esclarecer os contornos por considerar que as partes a serem ouvidas estão a faltar com a verdade

As zonas de penumbra

A elaboração do novo projecto executivo pela MC Arquitectos custou aos cofres do Estado 3 milhões de meticais contra os 147 mil meticais cobrados anteriormente pela Engiarte de acordo com um documento que o Semanário Txopela teve acesso.

O novo projecto elaborado pela MC-Arquitectos fixou o orçamento total em 60 milhões de meticais contra 40 milhões de meticais apresentados pela Engiarte. Feitas as contas desde a elaboração do projecto até esta data o Estado investiu mais de 9 milhões de meticais, num projecto que não arrancou e sem perspectivas que um dia venha a ser realizado.

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