Encontro de amigos apartados pelo tempo – Lo-Chi

Depois de muito tempo apartados pelas vicissitudes da vida, as primeiras palavras, naturalmente e fazendo jus ao nosso lema de hospitalidade, desejar-vos boas vindas à este reencontro de amigos, nesta cidade das alcunhas.Cidade das alcunhas, antonomásia encontrada pelo nosso querido jornalista desportivo Renato Caldeira, a qual retrata a realidade dos Machuabos. Quantas vezes a alcunha não engoliu em definitivo o nome próprio? Mas falemos do nosso encontro.

A palavra encontro trouxe-me da reminiscência, um discurso de um político português, que agora por comodidade e conveniência não o referencio, que dizia numa cerimónia de doutoramento honnoris causa da Universidade de Coimbra, cujo laureado era um outro político, moçambicano, e dizia ele, que no processo colonial, primou-se por fazer dos encontros, encontrões. E isso, convenhamos, recorda-me que, salvo honrosas excepções, os políticos tem este poder alquimista nefasto. E nós, cidadãos do mundo, contrapondo, queremos aqui dizer, factualizando, que a nível pessoal, soubemos ultrapassar muitas dessas querelas e desinteligências políticas, despostivas ou não, e como sempre e agora, estamos a transformar um desencontro de mais de quatro décadas, num reencontro tipicamente zambeziano e particularmente quelimanense, de indivíduos irmanados na humanidade.

É esta arte natural de amizar, perdoem-me os linguistas por este neologismo, o qual nós quelimanenses sabemo-lo fazer. E o meu amizarsiginifica, nem mais nem menos que, construir, mesmo nos eventuais encontrões, pontes de oportunidades e de afectos. Pontes que veiculam uma relação de mutualidade, feita de dádivas e não de dívidas, posto que tudo se faz na base de préstimo e não de empréstimo, pelo que não existe débito nem crédito.

Édeverás salutar e gratificante, viver esta realidade emocional de reencontrar antigos colegas de escola, outros de turma, aqueleoutro do desporto, trazendo-nos à memória aquela juventude, da qual muito nos orgulhamos, fundamentalmente por esta aquela camaradagem, que ultrapassou fronteiras e, como hoje emocionadamente testemunhamos, é atemporal. Uma coisa, não menos importante, é reencontramo-nos, como já aconteceu com muitos de nós, no facebook, outra é a dimensão de sentir o calor de um amplexo real e sincero, reviver romanticamente factos comuns passados, como os sucessos no desporto, as aventuras académicas, os primeiros namoros e as tampas recebidas e os gozos como fruto, as alcunhas em consequência. Outrossim, em partilhar a nossa culinária, que também é vossa, queridos amigos e colegas, já que todos nós tivemos um quinhão de labor, nestes sabores que hoje reclamamos como um elemento preponderante e iconográfico da nossa cultura. Porque sempre houve, alguma troca, alguma partilha. A literatura; escassa é verdade, porque muito delas ainda convivendo no guetho das gavetas, pelos nossos circuntacialismos;  tentem conviver com ela, que decerto haverá muito, que vos emocionará por motivos diversos.

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Nestas semanas a osmose acontece, o trópico setentrional e o meriodional trocam de ares, e temos neste momento um clima ameno, temperado pela confluênciadocancer e do capricórnio, aproveitemos o momento. Por tudo isso e porque, nessas ocasiões, quando a emoção nos envolve,aconselha-se a ser-se parco nas palavras, fico por aqui, com este abraço mesmeriano efraterno.

 

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