MUNDO VIRTUAL: O ÓPIO DOS NOSSOS DIAS…

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Danilo Tiago

Desde a invenção da internet, esta passou a ser uma ferramenta indispensável nas relações humanas.

Com o advento das tecnologias de informação e comunicação, o surgimento das redes sociais não trouxe apenas uma inovação tecnológica num mundo cada vez mais transformado em aldeia global, como também trouxe efeitos colaterais nefastos. Uns visíveis a olho nu e que se vão manifestando no quotidianos das sociedades, outros nem tanto sendo estes os mais preocupantes pois a sua quase “invisibilidade” é que os torna mais perigosos e letais ao homem.

Gosto imenso de viajar, quer em missão de serviço ou mesmo nas férias. E nunca dispensei visitar novos locais. Afinal viajar é mudar o corpo da alma.

Em Junho de 2016 tive uma viagem muito curiosa. Havia sido destacado para representar a minha instituição num fórum regional da SADC em Lusaka, Zâmbia.

Depois de viajar a Maputo, de onde devia viajar a Lusaka, era imprescindível escalar Joanesburgo como condição de aceder ao aeroporto Kenneth Kaunda, de modo a tomar parte do evento sobre os crimes ambientais, a destruição da biodiversidade por parte do homem.

7 horas e 5 minutos partimos da nossa companhia aérea de bandeira de Maputo a Joanesburgo. Por volta das 9 horas escalamos o Oliver Tambo international airport.

Aqui e como as normas internacionais mandam era preciso passar pelos serviços de migracao instalados no próprio aeroporto internacional.

Quando desci do avião e junto a sala de embarque um espanto tomou conta de mim. Havia tantos passageiros em trânsito, para muitas rotas, quer para a Europa, America e dentro do próprio continente africano. O espanto meu teve a ver com o facto de todos ou quase todos os passageiros em trânsito não manter qualquer conversa entre si, por mais que alguns estivessem juntos quer numa comitiva ou que fossem mesmo círculo de amizades. Todos mas quase todos mesmo estavam com as mãos e a face em direcção aos seus smartphones. A conversa na verdade era com os seus instrumentos de estimação.

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Lembro – me disso porque, eu e a minha mãe Irene parecíamos os únicos que não tínhamos sido atingidos por aquela “doença” talvez tenha sido por isso que alguns passageiros pensaram que fossemos loucos quando nos abraçamos pela primeira vez num primeiro encontro memorável antes de “voarmos” juntos a Lusaka. O nosso grito de emoção e alegria foi tão forte que momentaneamente alguns dos passageiros deixaram de tomar atenção nos seus telemóveis e passaram a assistir aquela cena comovente.

Mas foi sol de pouca dura, quando perceberam que se tratava de um abraço de mãe e filho num primeiro encontro, os passageiros voltaram em trânsito voltaram a fazer o que mais amam: conversar com os seus smartphones. Uns tirando selfies junto a enorme estátua de girafa junto ao aeroporto para em seguida postar nas redes sociais, outros actualizando suas famílias que até aquele momento a viagem estava a correr sem percalços, etc.

O episódio do Oliver Thambo International Airport foi apenas mais um ate porque tem sido essa a cena em quase todos os aeroportos internacionais que tive a oportunidade de escalar.

A invenção das redes sociais com maior enfoque o WhatsApp, o Instagram, o Twitter, o Facebook entre outros, veio agudizar ainda mais o comportamento anti – social dos seres humanos.

O homem actual não consegue viver sem o WhatsApp, sem o Facebook. E passou a ser normal que num convívio entre amigos e colegas ou mesmo no seio familiar, o silêncio caracterize tais encontros. Cada um fica entre tido no seu telemóvel, no seu tablet nas redes sociais.

A nossa juventude se já estava alienada e hipotecada pelo ócio, o fenómeno das redes sociais veio tomar a ínfima quantidade de lucidez e serenidade que restava dessa mesma juventude.

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Não mais as crianças dos nossos dias querem telemóveis que não sejam smartphones, que não tenham acesso as redes sociais, constitui um insulto as suas inteligências.

Algumas delas privam – se de liberdade de jogar a bola, à cabra – cega, etc… preferem ficar “encarcerados” nos seus quartos navegando na internet, teclando nos WhatsApps e nas outras redes sociais.

Brincar com bonecas de pano, berlindes passou a pertencer ao passado, é antiquado e “não está na moda”. Em jeito de desabafo um sobrinho meu de apenas 10 anos de idade quando o desafiei a jogar berlindes, disse – me que não sabia jogar pois ninguém o tinha ensinado. Foi arrepiante ter ouvido tal desabafo. Isto fez – me concluir que todos nós adultos temos quota-parte nessa alienação da nossa juventude. E é hora de repensarmos no adulto que queremos para amanhã, pois queiramos ou não o mundo virtual tornou – se o ópio dos nossos dias e ignorar este facto é tremenda imbecilidade e irresponsabilidade da nossa parte.

Shalom

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