“O nosso mercado rural está distorcido” – Ragendra de Sousa

Luís de Figueiredo

Ragendra-de-Sousa-300x110 “O nosso mercado rural está distorcido” - Ragendra de SousaQuelimane (Txopela)— O Vice-Ministro da Industria e Comercio, Ragendra de Sousa, que esteve de visita a província da Zambéziarecentemente,falando aos órgãos de comunicação social presentes na conferência de imprensa, proferiu que a província da Zambézia detém potencialidades que podem ser aproveitadas para potenciar os comerciantes locais.

Entretanto, Ragendra defende o desencorajamento do comércio informal ao nível da província e a sua substituição pelo comércio rural: “estamos convictos, o nosso mercado rural está distorcido, o nosso mercado rural está desorganizado, precisamos de mais comerciantes para eles competirem entre eles porque apercebemo-nos que os comerciantes informais têm pouca capacidade financeira, por isso não podem pagar bem; portanto é preciso que se faça algo para reverter o cenário”.- Disse Ragendra de Sousa.

Outra grande questão despoletada por aquele dirigente tem a ver com a falta de informação. Para De Souza há uma falta de disseminação das informações no seio dos principais actores do processo comercial na província da Zambézia, visto que, segundo apurou na sua visita há alguns distritos deste espaço geográfico que tiveram a informação que há uma fabrica que precisa de muito arroz para suprir as suas necessidades de produção, entretanto ao questionar os produtores locais nenhum deles tinha informações, o que levanta varias suspeitas sobre o fluxo de informação na Direcção Provincial de Industria e Comercio da Zambézia e os produtores locais. “Não temos a cultura de troca de informações, afinal temos a tecnologia de comunicação e informação mas não fazemos o uso devidamente, temos grupos no WhatsApp e usamos apenas para falar de coisas fúteis no lugar de falar de assuntos de interesse sócio-profissional”. Censurou.

“O Malawi não paga melhor que Moçambique”

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Sobre a grande motivação da visita de Ragendra de Souza a Zambézia, aquele dirigente disse estar nesta província central com o principal objectivo de aferir in-loco as verdades sobre as alegações segundo as quais o comércio transfronteiriço tenha sido o grande motivo de problema de controlo dos produtos agrícolas nos distritos situados ao longo da fronteira com a vizinha República do Malawi.

O nosso interlocutor disse ter constatado junto dos produtores locais que o problema de preferência que tem sido bastante propalado, referindo que os agricultores preferem vender os seus produtos aos malawianos em detrimento dos compradores moçambicanos tem a ver com o que chamou de tabus e frases criadas pelos próprios moçambicanos, e que consequentemente foram sendo transmitidos pelos órgãos de comunicação social a questionar os motivos dos produtos estarem a ir para o Malawi.

“A conclusão que tive no terreno e que a notícia de que o Malawi paga melhor que Moçambique é falsa porque fomos informados que um (1) Metical cambiado corresponde a oitenta (80) Kwachas, numa altura em que nós vimos durante a visita que o Malawi paga cinquenta Kwachas por quilograma de milho, enquanto o lado moçambicano paga quatro (4) meticais por quilograma de milho; portanto se formos a cambiar cinquenta Kwachas por quilo dividido por oitenta veremos que quem vende o milho em Kwachas esta a vender por dois meticais e sessenta centavos (2,60mts), contra os quatro a cinco meticais pagos pelos moçambicanos.”

Outra questão levantada por De Souza foi o efeito ilusório da moeda, porque segundo explicou, os camponeses se iludem com os cinquenta Kwachas que recebem no lugar quatro meticais que são apenas duas ou quatro moedas.

 

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