QUÉNIA E OS ADVENTOS DA MUDANÇA – Danilo Tiago

E se fez história no Quénia…

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Danilo Tiago

As eleições Presidenciais para o Quénia, principal potência da África Oriental estavam marcadas para o dia 8 de Agosto do presente ano de 2017. De um lado estava Uhuru Kenyatta que lutava para sua própria sucessão no poder e na oposição estava Raila Odinga, uma velha raposa que luta para ascender ao poder

A morte de Christopher Msando, o responsável pela gestão do sistema informático da comissão Eleitoral do Quénia e tido como uma das principais peças na do processo eleitoral durante a campanha eleitoral foi de per si, um prenúncio de que algo de grave viria a acontecer no Quénia. Lembre – se que o corpo de Msando foi encontrado sem vida abandonado numa floresta nos arredores da capital, Nairobi com sinais de tortura no dia 29 de Julho a boca da data prevista para as eleicoes presidenciais.

A morte de Msando foi apenas uma gota no oceano, a seguir o país do então estadista Jomo Kenyatta deu a conhecer ao mundo uma violência sem precedentes. Uns defendendo o Presidente em exercício e outros reivindicando oportunidade a Raila Odinga para exercer o cargo político máximo do país.

No dia marcado para as eleições (8 de Agosto) o sentimento misto de receio pelo futuro pós eleições e a esperança da mudança na gestão dos destinos do país tomava conta da população, que guarda tristes recordações das eleições de 2008 e 2013.

Se em 2008 contabilizaram – se cerca de 1100 mortes em consequência do processo eleitoral, em 2013, nas eleições que conduziram Uhuru aos destinos do país num primeiro mandato, a situação foi mais grave. É esse passado sangrento que conduziu os Quenianos as urnas no pretérito dia 8 de Agosto de 2017.

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Depois das eleições, as ruas de Nairobi foram tomadas pela violência o que obrigou a polícia a usar gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes.

Os primeiros resultados davam uma margem de “conforto” ao Candidato Uhuru Kenyatta, com 54, 27% dos votos contra 44,74% a favor de Raila Ondinga segundo informou Wafula Chebukati, Presidente da Comissão Eleitoral.

Não tardaram manifestações repudiando os resultados que segundo os apoiantes de Raila Odinga incluindo o seu próprio líder não reflectiam a verdade.

Odinga e seus correligionários optaram por recorrer ao Supremo Tribunal de modo a impugnar o resultado das eleições de 8 de Agosto de 2017.

O colectivo de Magistrados decidiu a favor do recurso de Odinga sustentando – se nas ilegalidades e irregularidades cometidas pela Comissão Eleitoral no Quénia.

Nova data para as eleicoes fixou – se para o dia 17 de Outubro próximo.

O Quénia entra assim para a história como sendo a primeira nação africana que declara nulos os resultados saídos de umas eleições presidenciais.

Na hora que escrevo estes trechos veio – me a memoria o poema de António Ruí de Noronha com o titulo África Surge et ambula que numa tradução livre significa África Ergue – te e anda.

Na verdade, o Quénia com esse gesto aparentemente pequeno ergueu – se e andou, mostrou ao mundo que é possível não amarrar – se as vontades de partidos e muito menos de países pertencentes a uma aparente comunidade internacional com fins inconfessáveis e que o intuito é perpetuar o colonialismo, a espoliação de recursos com recurso a velha teoria de dividir para reinar.

Depois da corajosa decisão tomada pelo colectivo de Juízes do Supremo Tribunal do Quénia, uma coisa é certa: ainda que Uhuru venha a vencer e suceder – se a si próprio na Cadeira mais apetecível do Quénia, a África jamais será a mesma, o exemplo do Quénia servirá de réplica em situações subsequentes idênticas as daquele país africano.

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Quénia, trouxe adventos da mudança que jamais a historia se encarregará de apagar.

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