A democracia da bala e as declarações de Abel Xavier: Por Viriato Caetano Dias

Opiniao-Viariato-Dias-300x150 A democracia da bala e as declarações de Abel Xavier: Por Viriato Caetano DiasOs crimes de morte são, desde a escolha das vítimas até ao tribunal do júri, um teatro. Um teatro de dissimulado. Marcelo Rezende (1951-2017), jornalista, repórter e apresentador de televisão brasileiro.

Mahamudo Amurane foi membro dissidente do MDM. Quem era o “inimigo público” de Amurane? O MDM. Então, o MDM matou Amurane. Este tipo de silogismo, ignóbil, tem sido recorrente no país para obstruir a investigação e incriminar inocentes. O partido Frelimo tem sido a grande vítima desta corrente de pensamento. Sem prova nenhuma, sempre que acontece um crime político, alguns “papagaios” encontram desde logo um culpado: Frelimo. Não há perícia criminal, mas sim a vontade e sofreguidão condenatória.

Mas eu insisto, quem realmente teria a ganhar com a morte de Amurane? A Frelimo? Não. O MDM? Também não. De facto, “O silêncio sepulcral só acompanha os crimes políticos. Quando um crime é político estabelece-se uma zona de obscuridade e de silêncio e ninguém sabe de nada.”

Escrevi há alguns meses uma crónica, na qual salientei que Amurane era um inimigo figadal para quem estivesse no campo oposto da política. Penso que não estava errado nem tão longe da verdade, pois o tempo vem agora confirmar que Amurane morreu por defender aquilo que ele próprio acreditava. Acompanho o raciocínio de um leitor que em tempos disse-me o seguinte: “Viriato, em política sempre foram utilizados nossos inimigos para desferir golpes noutros nossos inimigos. Até nas relações de vizinhança fazemos isso: espevitamos o ódio deste ou daquele para lesar aqueloutro de quem não gostamos.”

A verdade, porém, é uma: o ódio contra Amurane floresceu quando este cortou o “soro financeiro” que alimentava algumas parasitas que se haviam instalado no Município de Nampula. Amurane morreu exactamente no dia em que o país celebrava mais um aniversário do Acordo Geral de Paz.Mais palavras para quê? Está tudo dito. Paz à sua alma e um reconfortante abraço nhúngue à família enlutada.

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Mudando agora de assunto, o senhor Abel Xavier devia estar calado, para continuar a merecer o estatuto de poeta. Perde-o,esse estatuto, quando abre a boca para dizer asneiras. Ele quando assumiu o comando técnico dos “Mambas” sabia quais eram as condições de trabalho que se lhe ofereciam. Foi-lhe informado quais eram as reais condições financeiras e económicas do país e da selecção nacional, em participar. Aceitou o convite e entrou no “mundo da fama.” Mesmo sem experiência convincente na profissão que abraçou, o país proporciona-lhe a responsabilidade de treinar a selecção de todos nós. Paradoxalmente, o senhor Xavier vem agora dizer que o povo moçambicano não deve exigir-lhe “resultados sem melhores condições.”Quais? De que condições fala? Que condição precisava, senhor Xavier, para vencer selecções de países que possuem parcos recursos em relação à Moçambique. Como jogador, fui um grande admirador seu, mas como treinador já começo a colocar um ponto de interrogação. Será? Zicomo

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