Armindo Primeiro, o hipócrita!

Editorial

IMG_6844-300x257 Armindo Primeiro, o hipócrita!

Zito do Rosário Ossumane — Director Editorial do Jornal Txopela

Um exemplo clássico de acto hipócrita é denunciar alguém por realizar alguma acção enquanto realiza a mesma acção.

Há pessoas com capacidades estranhas. As que dizem isto e o seu contrário no espaço de 20 segundos, como se nada fosse. As que mentem com quantos dentes têm na boca, com o ar mais credível. As que criticam os outros por aquilo que elas próprias fizeram. E as incoerentes. Que sabendo que estão a ser incoerentes, conseguem dizer tudo sem se rir. Há pessoas para tudo, em todo o lado, em todos os sectores e a política, claro, não é excepção. Ora vejamos:

 “O dirigente disse em tom de extrema decepção, que profissionais desta natureza devem ser punidos e aliás, Armindo chegou mesmo a dizer que como titular do sector, não iria compactuar com qualquer impunidade, pelo que devem realmente ser responsabilizados.

O dirigente disse ainda que o sector que dirige distancia-se destas práticas, pois sujam o bom nome do sector e dos profissionais honestos que nele existem.

Armindo foi mais longe ao afirmar que o sistema educacional exige honestidade pois o mundo olha nele e procura encontrar exemplo de boa conduta e não actos de desonestidade e atitudes como estas a que chamou de contraproducentes.  Entretanto, o dirigente chamou atenção a outros profissionais do sector, que não enveredem por esta via em detrimento de seu bom nome e principalmente da instituição.” — Extracto de uma notícia publicada pelo Semanário Txopela, aos 05 de Setembro de 2016.

A noticia surge na sequencia de um trabalho de investigação levado a cabo pela equipe de Reportagem deste periódico, publicado com o seguinte titulo, corrida ao enriquecimento: Profissionais da Educação param na barra da justiça, o artigo refere-se a 04 profissionais de educação na altura afectos ao distrito de Inhassunge e que se encontravam detidos na cadeia civil de Quelimane, acusados de crime de falsificação praticada por servidor público.

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O Jornal Txopela apurou na altura que de forma coordenada, os 4 profissionais cada um usando as suas atribuições, criaram um esquema com o objectivo de desviar valores monetários por via de acréscimo de nomes fantasmas no mapa de pagamento dos subsídios aos alfabetizadores. Sobre o assunto veio a reacção do director provincial de educação e desenvolvimento humano na altura Armindo Primeiro que transcrevemos acima.

De resto considero Armindo Primeiro um actor de um monumental talento, o fingimento e a falsidade com que proferiu aqueles pronunciamentos de um individuo de índole pura ficaram indelevelmente marcados na minha memoria. Mal sabíamos que os 04 profissionais eram discípulos do bom director, vejamos o Ministério Público acusou o Director Provincial de Educação e Desenvolvimento Humano da Zambézia de lesar o Estado em perto de três milhões de meticais. Armindo Primeiro é acusado de ter aberto um falso concurso de adjudicação de uma obra com suporte de outros 5 cúmplices, funcionários daquela instituição e o empreiteiro, são acusados de simulação, participação económica em negócios e abuso de cargo ou função.

O facto remonta a finais de 2014, quando supostamente a então Direcção Provincial de Educação e Cultura, adjudicou uma obra, sem concurso público, para a reabilitação da casa de Cultura de Chinde. Sem que a obra tivesse iniciado, a instituição pagou ao empreiteiro a totalidade do valor, alegando a conclusão da reabilitação. Contudo, desde então, a casa de Cultura do distrito de Chinde, aguarda pela execução das obras.

Despoletado o assunto pela Procuradoria Provincial, Armindo Primeiro numa acção estratégica apresentou ao Governador a sua carta de renúncia ao cargo.

Armindo Primeiro, reconheceu semana finda ter cometido erros no exercício das suas funções. No acto de entrega de pastas ao recém-nomeado Director do mesmo pelouro, aproveitou a ocasião para pedir desculpas aos colegas e demais funcionários do Estado. “Provavelmente são poucos aqueles que trabalham muito e não erram, então eventualmente eu cometi erros enquanto funcionário, enquanto chefe do maior grupo de funcionários que a Zambézia tem, se vocês me permitirem aqui e agora pedir imensas desculpas pelos erros … ” Palavras de Armindo Primeiro.

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Podíamos ficar aqui uma eternidade a dar exemplos mas seria demasiado aborrecido. Estes, mais recentes, chegam para concluir que a coerência é provavelmente uma das maiores lacunas na política e na sociedade em que vivemos. E é essa falta de coerência que dá, muitas vezes, origem à demagogia, barata, dos que apontam o dedo aos outros só porque sim, dos falsos moralistas, dos que confundem a beira da estrada com a estrada da beira, de propósito, para conseguir um ganho imediato. As duas coisas, a incoerência e a demagogia, são podres. E era tão bom que os Governantes percebessem isso.

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