Bebiam “SECAS” e não morriam, agora bebem “IMPALA” e estão a morrer! Por Luís de Figueiredo

Luis-de-Figueiredo-_-Jornal-Txopela-300x150 Bebiam “SECAS”  e não morriam, agora bebem “IMPALA” e estão a morrer! Por Luís de FigueiredoO Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique na Zambézia está preocupado com o elevado número de casos de óbitos, derivados de intoxicação alcoólica na cidade de Quelimane.

A preocupação foi manifestada recentemente pelo porta-voz daquela corporação na Zambézia Miguel Cândido, numa conferência de imprensa. Miguel Cândido disse que na semana finda mais um corpo sem vida foi encontrado na zona do Torrone Velho, algures na cidade de Quelimane. Aliás, de todas as mortes por intoxicação alcoólica que foram reportadas na cidade de Quelimane, cerca de 90% tiveram lugar no bairro Torrone Velho, ou seja, quase todos os casos de intoxicação alcoólica tiveram lugar naquele bairro.

Para além do consumo abusivo de álcool, o bairro Torrone Velho é conhecido como o bastião do crime e do consumo de estupefacientes, com destaque para o Cannabis Sativa, vulgarmente chamada por Suruma. Nas últimas três semanas cerca de seis casos de corpos sem vida foram reportados à polícia na cidade de Quelimane, todos a partir do bairro Torrone Velho.

Curiosamente estes factos ocorrem com jovens com idade compreendida entre os dezanove e os trinta e cinco anos de idade, caso para dizer que os jovens estão realmente a abusar do álcool na cidade de Quelimane e no bairro Torrone Velho em particular.

Esta é uma verdade que não podemos negar, mas a preocupação que paira cinge-se no facto de actualmente os jovens terem apostado no consumo de cerveja em detrimento das chamadas bebidas secas. É justamente neste período que estão a intensificar se os acontecimentos de jovens que perdem as vidas por consumo de álcool.

O Governo de Moçambique através da Autoridade Tributária aprovou um decreto que obriga a todos os produtores e distribuidores de bebidas alcoólicas e de tabacos, a comercializar os seus produtos somente após ser arreado com o selo da Autoridade Tributária, o que levou a subida sem precedentes do preço das bebidas secas em todo o território nacional.

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No lugar de um ‘Royal’ ou um ‘Zero’, os jovens estão dedicados agora ao consumo da famosa cerveja da mandioca IMPALA pelo facto de esta, estar a um preço relativamente acessível aos seus bolsos e ter um teor alcoólico aproximado as bebidas secas.

A minha inquietação é a seguinte: Se agora os jovens estão a beber mais cerveja em relação ao passado, porque será que justamente agora os jovens estão a morrer mais por intoxicação alcoólica? A polícia diz não dispor de equipamentos adequados para apurar o tipo de bebida consumido pelo malogrado, mas pelos depoimentos dos vizinhos e conhecidos pode se aproximar ao tipo de bebida que o finado tenha consumido.

Há um trabalho que deve ser feito para se travar os números porque são vidas que estão sendo perdidas diariamente devido a um fenómeno que desconhecemos. Dizer que o finado perdeu a vida por consumo excessivo de álcool e terminar não me parece uma boa saída para justificar o que tem acontecido nos últimos tempos porque desde sempre consumiu-se álcool em Quelimane e em Torrone Velho, mas não eram registados tantos casos de mortes por intoxicação alcoólicas como tem acontecido recentemente.

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