Casamento prematuro recebeu um balão de oxigénio em Namacurra? por Luís de Figueiredo

Luis-de-Figueiredo-_-Jornal-Txopela-300x150 Casamento prematuro recebeu um balão de oxigénio em Namacurra? por Luís de FigueiredoO Distrito de Namacurra fica há sensivelmente setenta quilómetros da capital da província da Zambézia, a cidade de Quelimane. Não obstante oprivilégio por sua aproximação a capital da província e pela passagem pela vila de Namacurra da Estrada Nacional número 1, o que faz dela um corredor bastante movimentado e um centro de convergência de hábitos e culturas, a população do distrito de Namacurra ainda se encontra debaixo do jugo de ignorância e da petulância moral.

O facto tem a ver com o elevado índice de gravidezes precoces e de casamentos prematuros que tem sido reportados anualmente pelas autoridades locais. Segundo uma ronda feita pelo Semanário Txopela em Agosto do presente ano, uma em cada cinco raparigas com idade compreendida entre os doze e os dezasseis anos de idade já tem um filho ou está a viver maritalmente. Estes dados preocupam sobremaneira as autoridades locais que se vem obrigados a adoptar técnicas de retenção das raparigas nas escolas como por exemplo a construção de escolinhas comunitárias, uma iniciativa da Associação Nicalamo com o apoio do Governo dos Estados Unidos da América através da ADPP, onde no lugar de ficar em casa para cuidar dos menores, as raparigas poderão ir a escola enquanto os filhos brincam na escolinha comunitária.

Esta iniciativa foi entusiasticamente aplaudida pelo embaixador dos Estados Unidos da América em Moçambique Dean Pittman, aquando da inauguração da escolinha comunitária modelo no povoado de Malinguine, localidade sede de Namacurra. Para Dean Pittman, a iniciativa visa dar oportunidade as raparigas do distrito de Namacurra que se encontram na situação de mães precoces de se beneficiar do direito à educação.

A minha preocupação resideexactamente no impacto que a construção destas escolinhas comunitárias representará no processo de combate ao casamento prematuro e as gravidezes precoces no distrito.

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Reza a história que o distrito de Namacurra é um dos mais rebeldes no que diz respeito a adesão da rapariga àescola. A título de exemplo, um amigo meu que para além de natural de Namacurra também é jornalista e docente, disse em conversa uma vez que no distrito de Namacurra existem povoados onde os professores não definem os horários de início das aulas, mas os estudantes é que determinam quando devem entrar na sala de aulas, acto que tem acontecido depois de eles (os estudantes) regressarem das machambas e terem a certeza que todos estão presentes para o início da aula. Mas isso é o de menos; o que mais me preocupa neste momento é: com a construção de escolinhas comunitárias para os filhos resultantes de gravidezes precoces e de casamentos prematuros, quais são as chances de se reduzir os índices desses males que apoquentam a comunidade estudantil de Namacurra?

Ao que me parece, esta iniciativa maravilhosa poderá até certo ponto promover o aumento de casos de gravidezes precoces, uma vez que as raparigas sentirão que não perderão as aulas por serem mães, pondo em risco a sua própria saúde dado que o seu corpo ainda não estará pronto para carregar um feto e dar a luz.

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