Depois da guerra fria o que vem a seguir? — Danilo Tiago

Se dúvidas houvesse, a Assembleia Geral das Nações Unidas que teve lugar recentemente em Nova Iorque fez questão de dissipar. O clima de tensão entre Pyongyang e os EUA agudizou – se de tal modo que nada resta do que concluir que estamos em face de guerra fria.

Mas quem é Kim Jong Un, o jovem que conduz os destinos da Coreia do Norte, que adora Jimi Hendrix e é um fã incondicional da equipa de basquetebol profissional Chicago Bulls, uma equipa justamente de um país que ele detesta?

Da sua infância pouco se sabe, até aos 18 anos uma das poderosas secretas do mundo CIA a única informação que tinha era o seu retrato aos 12 anos e nada mais. Mas sabe – se que estudou na Europa concretamente em Berna, Suíça, na casa de uma tia, irmã da sua mãe que actualmente vive nos EUA com uma identidade disfarçada.

É fluente em Inglês. Adora a música dos Doors e de Jimi Hendrix, é um fã confesso dos Chicago Bulls, sendo Michael Jordan o seu ídolo. Actualmente mantém uma forte amizade com Dennis Rodman, ex – vedeta dos Chicago Bulls. Dennis Rodman já visitou a Coreia umas cinco vezes a convite do seu amigo Kim. E curiosamente Rodman deve ser dos poucos norte – americanos que gosta de Kim Jong Un e o Presidente Donald Trump de quem nutre indisfarçável simpatia.

Depois de terminar os seus estudos médios na Suíça, com base em pseudónimo, Kim Jong Un regressou a sua terra natal para ingressar na Kim Il-Sung University, uma Universidade que leva o nome do seu avô paterno.

Na verdade depois da morte do pai, a sucessão natural do poder devia ser a favor do irmão mais velho de Kim, mas este foi num passado não menos distante encontrado no aeroporto na Indonésia com um passaporte falso. Foi esse acontecimento que lhe retirou credibilidade ao ponto de não merecer qualquer confiança para dirigir os destinos da Coreia do Norte.

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Coube então ao trono o jovem Kim Jong Un, este que para muitos é um “terrible enfant”.

Embora não sendo perito em relações internacionais, há duas opiniões a ter em conta quanto ao comportamento do pequeno grande Kim: o seu amor aos engenhos de guerra como os mísseis e as constantes ameaças de lançar sobre o seu mais direito rival, não só visa intimidar os EUA e mostrar o seu poderio militar no mundo, também visa mostrar internamente alguma capacidade de liderança a classe castrense e ao povo norte Coreano.

Seja como for, até hoje a vida do todo-poderoso líder Norte Coreano é um enigma.

Voltando a questão da guerra fria, o que aconteceu na Assembleia Geral das Nações Unidas não deve deixar ninguém indiferente. É um prenúncio de uma guerra que está latente, de uma pólvora prestes a explodir.

O que se espera de uma reunião Magna como é a Assembleia das Nações Unidas é discussão dos problemas que apoquentam as nações com base numa linguagem diplomática, com urbanidade. Esta recente reunião não só não colheu consensos quanto a questão da Coreia, como também viu – se um Presidente dos EUA arrogante como de costume e a dirigir – se ao seu homologo Norte – Coreano como um “louco e homem – foguete”. Prometeu igualmente destruir a Coreia do Norte sem clemência.

Facto prontamente repudiado até pelo moderado líder do Irão que disse abertamente que o discurso do Presidente Trump incitava ao ódio e em nada contribuía para a pacificação da questão Norte Coreana.

Como resposta ao discurso de Trump o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte disse “o mundo inteiro deve saber claramente que foram os EUA os primeiros a declarar guerra” à Coreia do Norte. “Uma vez que os Estados Unidos declararam guerra contra o nosso país, temos todo o direito de ripostar, incluindo o direito de abater bombardeiros estratégicos norte-americanos, mesmo quando não estejam dentro das fronteiras do espaço aéreo do nosso país”. Foram estas as palavras do Ministro Ri Yong – Ho. Os EUA não se fizeram de rogados e logo a seguir os dizeres do Ministro Ri, a primeira reacção por parte dos Estados Unidos surgiu do Pentágono, que garantiu que, se as provocações de Pyongyang continuarem, vai disponibilizar ao Presidente Donald Trump as opções para enfrentar a ameaça nuclear norte-coreana: “Se a Coreia do Norte não parar com as suas acções provocadoras, nós vamos providenciar opções ao Presidente para lidar com a Coreia do Norte”, afirmou o porta-voz do Pentágono, Robert Manning, citado pela Reuters. Mais tarde, foi a porta-voz da Casa Branca,  Sarah Sanders, a referir-se sobre o assunto, considerando a ideia de que os EUA declararam guerra à Coreia do Norte “absurda”: “Nós não declarámos guerra à Coreia do Norte. Francamente, essa sugestão é absurda”.

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Entre troca de palavras e mimos, uma coisa é certa, a guerra está declarada de ambos os lados. A questão que se coloca é o que vem a seguir?

Shalom

 

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