O fatídico final de um “traidor”

Mahamudo-Amurane-300x114 O fatídico final de um “traidor”Nampula (Txopela) — Um dos mais proeminentes políticos moçambicano foi assassinado de forma barbara quarta-feira última, 04 de Outubro quando o País celebrava os 25 anos de Paz resultado do acordo assinado entre a Renamo e o Governo moçambicano em 1992 e que pôs fim a longos anos da guerra civil.

Mahamudo Amurane, presidente do município de Nampula foi assassinado depois de ter orientado as cerimónias do dia da paz em Nampula, horas depois foi baleado três vezes no abdómen por um indivíduo ainda desconhecido em frente a sua residência particular no bairro de Namutequeliua e acabou por perder a vida no Hospital Central de Nampula.

Em meio a desinteligências com o Movimento Democrático de Moçambique, terceira força política mais sonante no País, partido pelo qual o autarca chegou ao poder. Amurane preparava a sua recandidatura para o próximo escrutínio de nível autárquico a decorrer em 2018 como independente. Ameaçado e etiquetado de traidor pelos seus correligionários, Luciano Tarieque delegado político do MDM ao nível da cidade já chegou a prometer-lhe publicamente “dias contados” na sua aparição explicou que a sua formação sentia-se arrependida por ter acolhido um “ doente, hipócrita e traidor” e foi mais longe, garantiu que o edil, Amurane não governaria por muito tempo sem receber a recompensa pela traição. “Ele brincou com povo macua e por isso aguarde pelo pagamento da brincadeira que ele fez ao povo” palavras de Luciano Tarieque no dia 22 de Agosto de 2017.

O Jornal Txopela apurou de fontes do Conselho Municipal de que na última sessão da Assembleia Municipal o autarca terá sido escoltado pelos seus seguranças por constatar-se a presença no local de um indivíduo armado cuja intenção presume-se, era atentar contra a integridade física de Amurane.

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Mahamudo Amurane, o edil alérgico a corrupção

Conhecido com um indivíduo vertical e alérgico a delapidação da coisa pública exonerou, demitiu e mandou prender funcionários desonestos do Conselho Municipal de Nampula que usando dos seus cargos e funções indevidamente buscavam tirar dividendos pessoais com base em esquemas de corrupção.

O Txopela apurou que pelo menos 11 funcionários daquela instituição afectos ao balcão de atendimento único foram indiciados este ano de terem desviado, 3 milhões de meticais, o desvio do valor era consumado através de um esquema de adulteração de recibos de pagamentos dos diferentes serviços oferecidos pela autarquia. Segundo o Gabinete de Combate à Corrupção de Nampula, o caso teve inicio no ano de 2014, Pouco tempos depois do inicio do mandato do edil, aquela instituição expôs que teve conhecimento do caso através de uma denúncia da própria edilidade depois de constatar anomalias nas receitas municipais.

O esquema era elementar: os munícipes pagavam pelos serviços e os funcionários emitiam facturas, mas os numerários nunca eram canalizados aos cofres da edilidade.

Na altura relatou o porta-voz do gabinete em Nampula, Francisco Bauque, explicando que a Procuradoria ainda não havia conseguido descobrir para onde era encaminhado o valor desviado, dado que as contas bancárias dos envolvidos não apontavam que o dinheiro teria sido depositado. Conquanto, referiu que o gabinete considerava o vereador como chefe do grupo.

As desinteligências com o MDM

Antes da ocorrência destes factos, o presidente do Conselho Municipal de Nampula, Mahamudo Amurane havia prevenido aos seus colaboradores para não se circundarem em feitos fraudulentos e advertiu que não os toleraria. A governação de Mahamudo Amurane foi notável pela mudança de dirigentes por alegadamente estarem envolvidos em actos ilegais.

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O caso originou uma sucessão de descontentamentos no seio do Movimento Democrático de Mocambique em Nampula. Falando a imprensa nesta altura o MDM repudiou o procedimento de Mahamudo Amurane por ser contra a corrupção.

Em resposta ao posicionamento do seu partido, o edil garantiu que continuaria a expulsar colaboradores corruptos “ladrão é ladrão e não vai mudar”. Tendo acrescentado que não escasseariam pessoas com boa índole para ocupar as vagas dos trabalhadores desonestos.

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