“Ou volto à era das cartas, ou a Vodacom me capacita a poupar crédito” — Virgilio Dêngua

Virgilio-Dêngua-212x300 “Ou volto à era das cartas, ou a Vodacom me capacita a poupar crédito” — Virgilio Dêngua“Querido filho (além de…) tudo bem ai? Aqui, estamos bem graças a Deus. E o resto corre como altíssimo deseja. Escrevo esta carta porque desejamos, além de saber as novidades daí, contar-te que a tua irmã já tem bebé. Chama-se Teixeira, é teu xara. Muito parecido com o tio Costa Madamuge”, – sentia-se o amor e o carinho bailar entre as letras manuscritas.

Era um show ler cada parágrafo e nós, os mais novos, crescíamos sob vontade de aprender a escrever. Era bonito ver palavras escritas com todos os caracteres que ela possui. Não nos sentíamos obrigados a encurta-las só e só para evitar gastar três SMS de uma só vez.

Tempos já idos, quando vivíamos dependentes do papel, caneta e caligrafias legíveis éramos felizes embora a resposta fosse tardia. Lembro que os meus pais e outros familiares mais velhos ficavam radiantes após receber um manuscrito contando novidades lá de Inhassunge, Chinde, Mafambisse…

Mas o mundo moderno apagou essas marcas e trouxe consigo os telefones, os móveis particularmente. Antes até que era normal – porque tudo que nele continha era novidade. Passamos desde Motorola, Alcatel até Sendo S300, passando pelo Nokia 3310 ou 5110aquele tipo pistola. Eram dispositivos de transição que nos ajudaram a usar os novos celulares, aqueles que os que criaram o dizem ser inteligentes.

Passam-se mais de 15 anos a usar celulares diferentes e acho que devo ser tão estúpido ao ponto de não ter domínio sobre o uso de internet ou falar nesses aparelhos. Não sei ao certo se é o meu telefone ou a operadora, a Vodacom – que me vendeu mesmo dispositivo, que nos primeiros meses não gastava tanto e agora viola até o índice de pobreza. A ser assim, pressinto que a frase “Tenha tudobom na sua melhor rede” seja apenas uma propaganda enganosa – porque não está nada bom aqui.

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Somos milhões de moçambicanos clientes dessa operadoraa reclamar o facto de a rapidez com que acaba o crédito ou megabytes piorar a cada semana que passa. Penoso mesmo, é ver através dos jornais que mesmo após mais de 15 anos a Vodacom diz que ainda não sabemos usar o celular só e só porque reclamamos que o crédito ou megabyte acaba rápido.

Na minha humilde opinião, era bom que a operadora em alusão abrisse centros de formação sobre como poupar crédito ou megabytes. Caso não, façam-nos entender de forma mais clara que essa rede de telefonia móvel está virada para uma certa classe social ao invés de chamarem este humilde povo de burro, poisa ser assim, sinto que é melhor regressar à era das cartas.

Aguardamos com expectativa…

 

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