Amilton Antonio ao Jornal Txopela: Jornalistas corruptos devem ser expurgados!

Amilton-Antonio-300x200 Amilton Antonio ao Jornal Txopela: Jornalistas corruptos devem ser expurgados!

Amilton Antonio, Presidente do Núcleo Provincial da Zambézia do MISA-Moçambique.

O Presidente do Núcleo Provincial da Zambézia do MISA-Moçambique, o jornalista Amilton Antonio defende que os profissionais de comunicação não se devem acobardar perante o poder do dia, explica ao Jornal TXOPELA que ogoverno nunca vai olhar para o jornalismo livre e independente de forma romântica, “haverá sempre pressão, chantagem e ameaças”.

Em entrevista ao TXOPELA, Amilton Antonio assinala que a sua organização continuará a lutar para salvaguardar os direitos da imprensa e a livre expressão nesta parcela do Pais. Para o jornalista é também importante que os profissionais de comunicação dominem alguns instrumentos e principalmente a lei moçambicana para produzir conteúdos com responsabilidade. Nas linhas abaixo segue a entrevista, que também analisou os recentes escândalos de corrupção envolvendo figuras proeminentes do Governo da Zambézia despoletados pela imprensa e a implementação da lei do direito à informação.

O Núcleo Provincial da Zambézia do MISA-Moçambique promoveu com parceiros um encontro de três dias em Quelimane para munir os jornalistas de conhecimentos sobre diversas matérias, qual a avaliação que faz depois do termino?

Foram dias de muito aprendizado como fez referência. Penso que, saímos deste encontro não como entramos, haviam aspectos que não eram de domínio da classe jornalística, aspectos que passavam por cima de nós. Penso que esses três dias serviram para começássemos a dominar melhor esses temas e são temas com alguma importância, por exemplo o caso do combate à corrupção que é um tema de actualidade, até é agenda nacional por aquilo que tem sido o engajamento do Presidente da República. Aspectos relacionados com funcionamento da funçãopública que estiveram aqui em discussão. Hoje vimos a governação autárquica e o poder local, também vimos o jornalismo investigativo.

São temas de extrema importância porquê? Eu tenho dito que a administração públicaé o maior espaço aonde a imprensa busca à informação para comunicar opúblico. Por ser a maior fonte de informação para a imprensa, tudo o que provem da administração pública interessa de certa forma a imprensa. Portanto saímos daqui com outra forma de pensar sobre estas coisas e eu penso que isso vai contribuir de certa forma para que melhoremos a nossa actuação no processo de colecta, processamento e divulgação da informação de modo que possamos divulgar informação precisa e que a partir desse encontro poderá se reflectir de forma tácita a independência da classe, porque temos assistido nos últimos momentos que a classe jornalista tem sido silenciada pelo poder do dia. Isso verifica-se também muito por conta desta forma maleável nossa que pode estar relacionada com o fraco domínio das matérias, porque dia após dia nós temos estado a receber novos profissionais na classe e esses profissionais chegam leigos, precisam de serem reciclados, precisam de beber um pouco do “veneno” para que melhorem à actuação, para que se introduzam na classe da melhor forma, então são formações muito boas.

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Como é que avalia o nível de prestação dos jornalistas ao nível da província da Zambezia, particularmente neste momento em que são despoletados vários casos ligando várias figuras do governo em esquemas de corrupção?

Estamos bem, se comparar com aquilo que tem estado a acontecer nas outras províncias nós estamos bem, temos estado a abordar esses assuntos de forma corajosa, frontal, isso é muito bom. No último ano à imprensa na Zambézia acordou porque dantes não era assim. Agoraé verdade que esse acordar da imprensa pode vir a suscitar diversas interpretações. O poder instituído não vai olhar para isso de forma romântica, haverá pressão, haverá chantagem, haverá ameaça enfim. O que eu quero apelar à imprensa é que continuem firmes, engajados e que continuem a abordar os aspectos sensíveis mas de interesse público tal como tem abordado nos últimos meses, não se deixem intimidar, continuem à exercer a função de informar com isenção e profissionalismo, mas tem que informar a verdade e só a verdade, não se deixem vergar por qualquer ameaça que seja.

Neste 2017na Zambézia tivemos diversos casos de ameaças a integridade física à jornalistas, chantagens politicas e censuras em alguns órgãos de informação, o MISA-Moçambique acompanhou estes episódios? 

O MISA esteve por perto desses acontecimentos sim.Tem acontecer de factode forma recorrente e isso é muito preocupante. O que temos a dizer é que nos condenamos de forma veemente, a nossa manifestação é de repulsa, essas são atitudes que não podem acontecer em pleno século XXI. Atitudes que não devem acontecer numaaltura em que o quadro legislativo que protege a imprensa nesse Pais é positivo. Nós temos uma lei de imprensa qua surge de uma constituição pluralista de 1990, é uma das melhores leis de imprensa que existe na região. Quando assistimos ou presenciamos situações de ameaçasouperseguição, sobretudo vindo de servidorespúblicos que se presume serem pessoas que no mínimo dominam essas matérias, é de condenar, é de lamentar porque isso não devia estar a acontecer. O MISA tem estado a intervir, bom não temos musculatura suficiente porque não detemos o poder judicial mas o MISA sempre que toma conhecimento sobre algum acto dessa natureza emite comunicados a condenar esse tipo de atitudes. Para além disso temos estado a conversar de forma constante com o Governador da Província da Zambezia para que ele interceda e seja ele o primeiro a persuadir o seu executivo de modo que se relacione de forma aberta, se relacione de forma amigável com a imprensa e ele tem sido bastante receptivo, mas a mesma receptividade não encontramos nos outros servidores públicos.

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Qual é a avaliação que faz sobre a implementação da lei e regulamento do direito à informação na província central da Zambézia?

Tem estado a existir algumesforço até da parte do Governo em divulgar este instrumento que é de extrema importância, a lei beneficia a todos não só aos jornalistas. Mas este é um processo, continuamos a assistir alguma resistência por parte de diversas instituições públicas. Alguns servidores públicos não conhecem o contracto social que tem com a quem servem, não sabem qual é o valor da prestação de contas, porque esse servidor não pode esconder informação que é de utilidade pública, não pode constituir um favor quando presta uma informação.

Há acusações segundo as quais, alguns profissionais de comunicação envolvem-se em actos de corrupção como é que olha para essa situação?

De facto, nos temos estado a receber este tipo de denúncias que existem comportamentos desviantes dentro da classe, é de lamentar que estejam a existir colegas assim, esses colegas são conhecidos alguns. Esta questão de cobrar para passar uma matéria ou para abafar é uma prática de corrupção, o que apelamos a quem for vitima deste tipo de empreitada é quando se depararem com o caso de um jornalista que os cobre ou para silenciar um assunto ou em troca da promoção da sua imagem devem denunciar a procuradoria ou ao tribunal. Não podemos protelar dentro da classe que existam colegas assim, é crime. Condenamos porque de facto acontece e estes jornalistas têm vindo a manchar a todos nós que nos comportamos de forma ética e profissional.


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