Semana das Artes termina com promessa de regressar em 2018

Presença surpresa da banda Marrove, de Nampula, a fechar a primeira edição da Semana das Artes foi um dos momentos marcantes do evento, que no espectáculo de encerramento, contou ainda com música de Melita Matsinhe e de Xitiku Ni Mbawula

Foi com agrado que o público acolheu a banda do norte do país que está em grande, numa altura que se encontra como finalista do Ngoma Moçambique e com fortes possibilidades de se sagrar vencedora. Marrove, que significa “lama”, deixou o público em delírio com a sua música cava das raízes culturais de Nampula, mas com influências de outros cantos do país. A execução peculiar de cada um dos músicos e a pujança do vocalista, Alírio, colocou em êxtase o público que acorreu ao Centro Cultural Brasil Moçambique que exigiu a continuidade da banda em palco. Porém, estava feita a Semana das Artes, um fechar com espírito de início.

Entretanto, coube a pianista Melita Matsinhe abrir o concerto, acompanhada na viola baixo pelo seu irmão Artur Matsinhe e, na percussão e coro, a presença habitual de Simão. Ao seu estilo característico, em no namoro entre o piano e a poesia das suas letras, fez jus ao estatuto de figura de cartaz da grande festa de encerramento da Semana das Artes 2017.

Já pelo meio, e sem surpresa, mas com novidade, chegou a vez de actuar os Xitiku Ni Mbaula. Foi ainda ao ritmo africano de Melita Matsinhe que os dois integrantes do grupo, Dingzwayu e SGee, surgiram para uma colaboração e entendimento entre o piano, o djembe e a guitarra. Foi o registo de um momento Melita Matsinhe e Xitiku Ni Mbawula. Afro e Rap.

Levando o repertório do seu álbum “A Kaya” lançado em Outubro passado, em Maputo, os “velhos” senhores e “madodas” do hip hop nacional acompanhados por Dj Sidney, e com participação do público, fizeram seu espectáculo sem medir forças. Era um dos momentos mais esperados pelos fãs que desde a apresentação do CD não tinham visto o grupo em concerto praticamente completo. Quando chegou a vez do “Kanimambo” foi mesmo de “coração” que se trocaram os afectos. Foi o momento de apoteose, com o público a abraçar os artistas, trocando mimos e aproveitando para fazer os registos para posteridade. 

O retrato de encerramento, foi para celebrar pelos oito dias em que Maputo sde tornou no centro de vários eventos artísticos inseridos no programa diversificado da Semana das Artes. Foram três Encontros Criativos com figuras de relevo nas áreas de Design, Ensino de Artes e Comunicação, empreendedores e gestores de projectos e empresas culturais inovadoras, além de jovens que usam da tecnologia para abraçar e gerar novas formas de acesso à cultura. Destaque ainda vai para a exposição fotográfica retratando as vivências das gentes do Chamanculo, reunindo 22 fotografias de profissionais e amadores no âmbito do projecto “VêSó”. Igualmente, Alex Dau foi o escritor da Semana das Artes tendo lançado no evento, o seu novo livro “Habitantes do Inóspito. Ainda durante a Semana, decorreu uma exposição colectiva de pintura, juntando os artistas João Timane, Revelino Sengo, Cumbe e Raposão.

E a grande festa de encerramento daquela que foi a primeira vez a acontecer na capital e com uma realização Vice Versa Ideias, com o patrocínio do BCI e com as parcerias do Centro Cultural Brasil Moçambique, DEAL – Espaço Criativo, Escola Superior Técnica da UP, VêSó e Pérola do Índico. A Semana das Artes, visa celebrar a cultura e as artes, através de mostras e encontros criativos e de inovação, para gerar acções sustentáveis nas áreas da Cultura, Turismo e Artes.

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