O candidato presidencial populista de direita da Argentina, Javier Milei, reuniu-se com autoridades do Fundo Monetário Internacional (FMI) para explicar suas propostas econômicas para o país, dias depois de se tornar o surpreendente favorito nas eleições de outubro.

Durante uma reunião virtual que durou pouco mais de uma hora na sexta-feira, Milei e membros de sua equipe econômica garantiram às autoridades do FMI que não tinham intenção de interromper os pagamentos ao organismo multilateral nem de inadimplir nenhuma das dívidas do país.

Entre as autoridades presentes estava o chefe do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, Rodrigo Valdes.

“Não vamos dar calote nem no FMI nem na dívida soberana”, disse Milei aos funcionários do FMI, de acordo com uma mensagem postada nas redes sociais por Dario Epstein, um dos principais conselheiros econômicos do candidato.

Milei, um conservador anti-establishment, fez campanha para se livrar do Banco Central e substituir a moeda local pelo dólar. No domingo, ele chocou o establishment político do país sul-americano ao receber o maior número de votos nas primárias nacionais.

A Argentina, que vem sofrendo com problemas econômicos há anos e se recuperando de uma seca devastadora que dizimou as colheitas comerciais do país, atualmente tem um programa de empréstimo de US$ 44 bilhões de 30 meses com o FMI.

Na reunião de sexta-feira com autoridades do FMI, Milei apresentou a plataforma econômica para seu partido Liberty Advances, incluindo “um ajuste fiscal significativo, mais significativo do que o exigido pelo FMI”, segundo comunicado divulgado pela campanha do candidato.

Milei e sua equipe também mencionaram seus objetivos de abrir a economia, modernizar as leis trabalhistas, cortar gastos por meio de profundas reformas do estado e implementar uma “reforma monetária que acabe com o Banco Central”.

Milei, 52, ganhou seguidores como uma estrela do rock ao se enfurecer contra a “casta política” na televisão. Ele recebeu 30% dos votos nas primárias nacionais do país, em comparação com 28% do principal bloco de oposição e 27% da atual coalizão governista.

Os resultados das primárias são vistos como uma indicação de como os cidadãos provavelmente votarão quando forem às urnas em outubro.

Mas especialistas disseram que o apoio a Milei não é inteiramente motivado ideologicamente, mas expressa desencanto com a política como um todo. “Eles não são votos de direita. São votos livres de política”, disse Carlos Fara, analista político em Buenos Aires, à Al Jazeera no início desta semana.

Valeria Brusco, uma cientista política que estuda Milei, disse que a crise econômica levou a uma “enorme frustração” entre os eleitores na Argentina.

“Ontem, alguém me disse: ‘Sinto nojo dos políticos de sempre porque o que eles sempre fizeram é o que nos trouxe aqui’”, disse ela à Al Jazeera.

A reunião de Milei com o FMI também não foi única. Citando um funcionário anônimo, a agência de notícias Associated Press informou que representantes do FMI também se reuniram com Patricia Bullrich, a candidata presidencial da principal coalizão de oposição – United for Change – no início da semana.

As discussões fizeram parte de “envolvimentos de rotina com um amplo espectro de partes interessadas políticas e econômicas”, disse o funcionário.

O governo desvalorizou o peso em cerca de 20 por cento e aumentou sua taxa básica de juros após a vitória de Milei, que agitou os mercados em meio à incerteza sobre como seria a presidência sob um político que se descreve como um “anarcocapitalista”.

O peso também desvalorizou acentuadamente nos mercados informais, levando a um aumento nos preços ao consumidor em um país que já experimentava uma inflação anual galopante de mais de 100%.

As primárias de domingo serviram para escolher os candidatos presidenciais dos partidos políticos e confirmar sua participação nas eleições de outubro. Apenas três partidos superaram o limite de 1,5 por cento necessário para reservar uma vaga nas eleições gerais.

Milei e Bullrich enfrentarão o ministro da Economia, Sergio Massa. Para vencer em outubro, um candidato precisa garantir pelo menos 45% dos votos ou 40% se estiver 10 pontos à frente de seu rival mais próximo.

Caso contrário, uma terceira e última rodada de votação entre os dois primeiros votantes seria realizada em novembro.

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