O secretário da Defesa dos EUA, Lloyd Austin, cancelou uma viagem a Bruxelas na qual deveria participar num encontro com ministros da Defesa dos membros da NATO, revelou um responsável norte-americano esta segunda-feira, depois de o chefe do Pentágono ter sido hospitalizado.

Austin, de 70 anos, foi levado para o Centro Médico Militar Walter Reed no domingo por “sintomas que sugerem um problema emergente na bexiga”, disse o Pentágono. Austin não divulgou a realização de uma cirurgia por causa de um cancro na próstata em Dezembro e uma hospitalização subsequente em Janeiro para tratar as complicações.

Austin preparava-se para viajar para Bruxelas para participar num encontro com ministros da NATO na quinta-feira e uma reunião separada com aliados na quarta sobre o apoio à Ucrânia.

O responsável, falando sob anonimato, disse que o encontro sobre as necessidades militares da Ucrânia, conhecido como grupo de contacto da Ucrânia, irá decorrer de forma virtual.

Não é claro durante quanto tempo Austin estará no hospital, mas a sua agenda foi transferida para a secretária-adjunta Kathleen Hicks.

O secretismo em torno das hospitalizações recentes de Austin causou alguma turbulência política. Os republicanos acusaram-no de abandono do dever. O Presidente Joe Biden disse manter a confiança em Austin apesar de ter considerado uma falha de julgamento.

No início do mês, Austin pediu desculpas por não ter comunicado a Biden e aos responsáveis da Administração o seu diagnóstico de cancro atempadamente, dizendo que o problema de saúde foi um “murro nas entranhas” que o abalou.

Neste momento, Biden não tem preocupações acerca da capacidade de Austin em continuar a reunir as condições para desempenhar o cargo, disse o porta-voz da segurança nacional da Casa Branca, John Kirby.

A hospitalização mais recente foi anunciada publicamente pouco depois de Austin ter sido transportado pela sua equipa de segurança.

Austin vai testemunhar perante o Congresso a 29 de Fevereiro acerca do secretismo em torno da primeira hospitalização.

A viagem acontece numa altura crítica para a Europa. Um Senado muito dividido deu um passo rumo à aprovação de um pacote de 95,34 mil milhões de dólares (88 mil milhões de euros) para a Ucrânia, Israel e Taiwan, mas o seu futuro é incerto na Câmara dos Representantes.

A legislação inclui 61 mil milhões de dólares para a Ucrânia, vistos como cruciais por Kiev à medida que se aproxima do segundo aniversário da invasão em larga escala pela Rússia, com as linhas da frente no Leste e no Sul largamente paralisadas há meses.

O ex-Presidente Donald Trump, que procura regressar ao poder em Novembro, criou uma tempestade de críticas da Casa Branca e de vários dirigentes ocidentais durante o fim-de-semana depois de ter sugerido que não iria defender os aliados da NATO que não gastassem o suficiente em defesa, e que iria até encorajar a Rússia a atacá-los.

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