“É uma adrenalina. Quando temos o fato transformámo-nos noutra pessoa. Não dá para explicar, só se sente”. São palavras de João Costa, de 19 anos, que há quatro anos é um Careto, à agência Lusa. É um dos muitos jovens que nos últimos anos se juntou ao grupo – a festa tornou-se Património Cultural Imaterial pela UNESCO em 2029. Segundo a Associação Grupo dos Caretos de Podence, só na aldeia do concelho de Macedo de Cavaleiros há cerca de 100 fatos e 40% dos Caretos são jovens.

A reportagem fotográfica, de Pedro Sarmento Costa, acompanha o grupo de jovens no Domingo Gordo, dos preparativos à festa na rua. Nos bastidores, numa garagem, vestem os fatos de lã com franjas amarelas, vermelhas e verdes, traçam as campainhas ao peito, ajeitam a enfiada de chocalhos à cintura, com os quais vão “chocalhar” as mulheres, e cobrem o rosto com a máscara de latão ou de couro.

“Quando nos vestimos sentimo-nos livres de fazer qualquer coisa. O fato dá-nos poderes. Corremos pelas ruas da aldeia. É uma força indescritível, uma coisa bonita. O que nos dá força é ver gentes que vêm de todo o lado”, diz outro jovem, Tomás Carneiro, 18 anos, à Lusa. Diz-se orgulhoso por ser Careto desde que nasceu. Tomás refere que as crianças que se vestem de Careto, com fatos menos elaborados, os Facanitos também são cada vez mais.

“Ainda bem que somos mais jovens, para não deixar morrer a tradição. Acho que o futuro está garantido. Vamos manter a tradição”, garantia, por sua vez, Cristiano Aníbal, Careto com 19 anos.

Como manda a tradição, esta terça-feira é dia de reencontro dos Caretos, para, na Eira, ser queimado o Entrudo, um Careto gigante. O fogo exorciza o Inverno e os males, prepara tudo para a chegada da Primavera.

Enquanto isso, este Carnaval fica também marcado pelo lançamento de um vinho em homenagem aos Caretos de Podence e pela reabertura do museu, a Casa do Careto.



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