Esta terça-feira, o 727.º dia de guerra, o Exército ucraniano acusou a Rússia de ter executado seis soldados que estavam feridos e que não foram retirados de Avdiivka, denunciando Moscovo pela violação do acordo alcançado sobre a saída de militares.

Familiares identificaram três soldados ucranianos, Georgiy P., Andriy D. e Ivan Z., no vídeo divulgado por fontes russas pouco depois da captura da posição fortificada “Zenith”, no sudeste da cidade do leste da Ucrânia.

A brigada identificou mais dois soldados como Oleksandr Z. e Mykola S., enquanto a identidade do sexto militar permanece desconhecida.

Os soldados gravemente feridos e desarmados não puderam ser retirados devido a “bombardeamentos incessantes da aviação inimiga (russa) e ataques de artilharia, bem como ataques constantes de drones a veículos e bombardeamentos contra as rotas de retirada”, referiu a brigada ucraniana.

Depois da tomada da cidade de Avdiivka, em Donetsk, a Rússia reivindicou um novo sucesso militar com a tomada de uma testa-de-ponte no sul, que a Ucrânia garantiu com acentuado esforço durante vários meses.

“Krynky foi limpa e de facto controlamos todo o rio”, declarou o ministro da Defesa Serguei Shoigu, após Vladimir Putin lhe ter pedido, na sequência de imagens difundidas pelos media russos e do relatório de um oficial, que confirmasse a conquista desta testa-de-ponte.

UE e EUA reforçam apoio a Kiev

Outra notícia que marcou o dia foi o anúncio por parte da União Europeia de uma nova verba de 83 milhões de euros de ajuda humanitária para apoiar as 14,6 milhões de pessoas na Ucrânia e Moldava afetadas pela guerra.

A principal parcela, de 75 milhões de euros, destina-se a projetos humanitários destinados a fornecer ajuda de emergência, incluindo acesso a necessidades básicas como abrigo, água potável, ensino e cuidados de saúde.

Uma parcela de oito milhões de euros destina-se a ajuda humanitária a refugiados ucranianos na Moldova.

Já os Estados Unidos vão adotar, na sexta-feira, um pacote de novas sanções contra Moscovo, após a morte na prisão do opositor russo Alexei Navalny, anunciou a Casa Branca.

“Por iniciativa do Presidente Biden, anunciaremos na sexta-feira um conjunto de sanções importantes para responsabilizar a Rússia pelo que aconteceu a Navalny”, informou John Kirby, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.

Mais notícias que marcaram o dia

⇒ A Suécia anunciou um apoio recorde à Ucrânia de 7,1 mil milhões de coroas (633 milhões de euros). “A razão pela qual continuamos a apoiar a Ucrânia é uma questão de humanidade e decência. A Rússia iniciou uma guerra ilegal, não provocada e indefensável”, disse o ministro da Defesa, Pål Jonson, em conferência de imprensa.

⇒ A presidência italiana do G7 anunciou para sábado uma reunião por videoconferência dos seus líderes, dedicada à Ucrânia, estando prevista a participação do Presidente Volodymyr Zelensky.

⇒ Vladimir Putin fará o seu discurso sobre o Estado da Nação a 29 de fevereiro diante das duas Câmaras do Parlamento, anunciou o Kremlin. A intervenção de Putin será a apresentação do seu programa eleitoral para as presidenciais que acontecem entre 15 e 17 de março, nas quais concorrerá à reeleição para um quinto mandato de seis anos.

⇒ Agricultores polacos bloquearam inúmeros acessos a várias cidades e portos, bem como as passagens de fronteira com a Ucrânia, no maior dia de protesto registado até ao momento. Varsóvia vetou as importações agroalimentares do país vizinho, alegando que destabilizaram o seu próprio mercado.

⇒ O ministro dos Negócios Estrangeiros português, João Gomes Cravinho, sublinhou que o Presidente russo, Vladimir Putin, “não quer apenas um pedaço de território ucraniano”, mas sim “destruir” a União Europeia, afirmando acreditar que a Ucrânia pode vencer a guerra.

⇒ A Assembleia Municipal de Lisboa aprovou a cessação do Protocolo de Amizade e Cooperação entre a capital portuguesa e a cidade russa de Moscovo até à retirada do exército da Federação Russa do território ucraniano. A proposta foi aprovada com os votos contra de PEV e PCP.

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