Longe da confusão da cidade que tanto o fascina, é entre os vales da serra de Sintra que se esconde o estúdio do jovem pintor de 25 anos que fez da pintura a sua nova paixão (e profissão). A passagem para o mundo das artes foi “um processo natural”, que permitiu a Guilherme Atanásio encontrar a paz e tranquilidade que parecia ser difícil de alcançar no meio do stress da engenharia.

Nunca sonhou em ser engenheiro, mas também nunca sonhou em ser pintor. No entanto, a falta de conhecimentos sobre a área das artes plásticas não o impediu de arriscar e tentar a sua sorte. Depois de acabar o curso, decidiu que estava na altura de seguir um caminho diferente: “Decidi dedicar-me um ano à pintura para ver no que dava. A engenharia é um rumo muito certo, arranjas logo emprego, enquanto que a pintura é algo mais incerto, mas, mesmo assim, decidi experimentar um ano. Entretanto já se passaram dois anos e eu continuo na pintura.

Ao Expresso confessa que, nunca teve medo de sair fora da sua zona de conforto porque “faz parte da sua maneira de ser”. Diz que não se deve ter medo de tomar decisões porque se pode sempre voltar atrás em algum momento da vida.

Aquilo que começou por ser um hobby para fugir à monotonia da vida académica rapidamente se transformou numa porta para novas oportunidades. Ter começado a pintar regularmente – um quadro por semana, por vezes mais – fez com que começasse a acumular telas no estúdio que, em tempos, tinha sido o quarto da irmã. Seguiu o conselho de um amigo: começou a partilhar o seu trabalho nas redes sociais e assim surgiram as primeiras pessoas interessadas em comprar os quadros – à data que publicamos este artigo conta com quase 200 mil seguidores no Instagram e TikTok.

“Foi engraçado ver alguém vir à minha casa, comprar um quadro que eu pintei para pôr na parede da sua casa. Um engenheiro a pintar [risos].”

Cores vibrantes, muito movimento e algumas frases são os principais elementos que compõe os quadros do jovem pintor. “Tenho uma paixão por telas grandes, daquelas que ocupam espaço na parede”, conta Guilherme que em novembro do ano passado inaugurou a sua segunda exposição a solo. Intitulada “Viemos aqui para nos sentir bem”, tinha como objetivo a “celebração da positividade do mundo atual”.

“O objetivo da exposição era mesmo despertar essa positividade. Não é todos os dias que vais a um sitio que está só a celebrar as coisas boas da vida. E também é uma tentativa de puxar isso para a minha própria vida.”

Durante dois meses, dedicou todo o seu tempo aos mais de 30 quadros que apresentou na exposição. Um processo que, admite ter sido bastante intensivo, mas que valeu a pena quando recebeu o opinião do público. “Acho que não podia ter corrido melhor. Foram cinco dias e conheci imensas pessoas. Os meus amigos perguntavam-me como é que eu tinha bateria social para aguentar tanta conversa [risos].” No mesmo ano teve também a oportunidade de colaborar com a marca de calçado Paez – nascida na Argentina – e criar um mural para o ficar da Coca-Cola no festival Sudoeste.

“I’M IN HEAVEN” é um dos mais recentes trabalhos de Guilherme Atanásio. O quadro é inspirado na cultura japonesa e na cinematografia do Studio Ghibli

Nuno Raposa

Inspirado por artistas como Jean-Michel Basquiat, Salvador Dalí, Pablo Picasso, Juan Miró ou Henri Matisse, procura um dia encontrar a sua “própria imagem enquanto artista”, mas sabe que este é um processo demorado, especialmente para quem começou a pintar há pouco tempo. Para já, o seu estilo assenta no uso de cores fortes que representam aquilo que sente e acredita. “No fundo, pinto aquilo com que me identifico e não aquilo que o público pode ou não vir a gostar. Tento sempre ser fiel às ideias que tenho.”, reforça Guilherme.

Viajar é outra das suas grandes paixões, seja sozinho ou acompanhado mas não é algo que se obrigue a fazer para “alimentar” o seu processo criativo enquanto artista. Depois de longos períodos de tempo entre São Tomé e Príncipe, Tailândia e América do Sul considera que viajar é “juntar o útil ao agradável” e de onde, muitas vezes, acaba por vir inspiração para novos quadros.

Em breve planeia viajar até ao Japão, país que acredita que pode ajudar no seu crescimento enquanto artista. Sonha um dia ter a oportunidade de expor em “cidades que valorizem a arte” como Nova Iorque ou Londres e, se pudesse escolher alguém para oferecer um dos seus quadros, os rappers Kendrick Lamar e Tyler, The Creator seriam as primeiras escolhas.

Para além da pintura, o jovem artista revela ao Expresso que tem outros projetos planeados para o futuro, incluindo o lançamento de uma marca de roupa.

Artigo de Mariana Jerónimo, editado por Pedro Miguel Coelho

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