O fim de semana de Páscoa bem regado com chuva permitiu aumentar as reservas de água no Algarve. De acordo com os dados divulgados esta quarta-feira pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a precipitação verificada desde 25 de março, em Portugal continental, “permitiu uma recuperação de cerca de 36 hectómetros cúbicos (hm3 ) nas principais reservas superficiais na região do Algarve”, o que “equivale a 30% de satisfação das necessidades para o abastecimento público, agricultura e turismo”.

As seis albufeiras algarvias somam um volume total de 195 hm3 o que “corresponde a 44% da capacidade total de armazenamento” e equivale a “um défice de aproximadamente 2 hm3 de água armazenada”, adianta a APA em comunicado. Apenas duas albufeiras estão acima de 50% da capacidade (Funcho 54% e Odeleite 51%) e uma está abaixo de 20% (Arade com 18%).

Por isso – e apesar de os agricultores da região apelarem a um relaxamento nas medidas de redução de consumo de água – a autoridade ambiental frisa que “a situação hidrológica de seca extrema na região do Algarve ainda persiste como a mais preocupante a nível nacional”. A APA adianta que fará uma avaliação da evolução da situação real até final de Abril e das projeções para os meses seguintes “para determinar a possibilidade de revisão das condicionantes em vigor na região”. Porém, será o Governo a decidir se atende aos pedidos dos agricultores ou se mantém as restrições para salvaguardar disponibilidades futuras.

A albufeira de Santa Clara, em Odemira (sudoeste alentejano) também continua a encher. Esta quarta-feira registava mais 26,6 Hm3 do que no mesmo período de 2023 e subia para a cota 111,06 metros.

Quanto aos dados nacionais globais, as reservas no fim de março estavam a “89% da capacidade total”, sendo que as disponibilidades hídricas são superiores a 80% do volume total em 56 das 80 albufeiras, e apenas quatro estão abaixo de 40%. Segundo a APA, “os armazenamentos de março de 2024 por bacia hidrográfica apresentam-se superiores às médias de armazenamento de Março para os períodos 1990/91 e 2022/23, exceto para as bacias do Ave, Mira, Ribeiras do Algarve e Arade”.

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