Cerca de 1.500 passageiros de um cruzeiro de luxo ficaram retidos a bordo do seu navio no porto de Barcelona na terça-feira, quando as autoridades fronteiriças espanholas impediram 69 cidadãos bolivianos de entrar no país.

Eles tiveram sua entrada negada por supostamente viajarem com vistos falsos. As autoridades só descobriram isso, segundo fontes policiais que falaram com jornalistas espanhóis, depois que o MSC Armonia desembarcou do Brasil com destino à Europa.

Apesar da reclamação ser feita apenas contra cidadãos bolivianos, nenhum dos passageiros foi autorizado a deixar o navio de cruzeiro na terça-feira.

Rafael Kondlatsch, jornalista brasileiro de 40 anos que estava a bordo, disse ao jornal espanhol El Pais: “Somos prisioneiros aqui, junto com os bolivianos”.

Ele acrescentou: “Eles não estão nos dando nenhuma informação, apenas nos disseram que havia um problema de imigração”.

Segundo Olive Press, dezenas de viaturas policiais encontraram o navio quando este chegou ao porto de Barcelona.

Na quarta-feira, os passageiros foram informados através do sistema de intercomunicação que estava a ser organizado um voo fretado para Roma para aqueles que o desejassem. Os bolivianos, porém, não puderam partir.

Os ocupantes do cruzeiro também foram informados de que poderiam deixar o navio quando quisessem, mas precisavam levar consigo os passaportes e voltar ao barco antes das 2h de quinta-feira, segundo o El Pais.

As autoridades espanholas teriam dito que o MSC deveria assumir a responsabilidade pelo retorno dos 69 bolivianos à América do Sul.

Segundo comunicado da empresa, está a trabalhar com autoridades espanholas “para gerir a situação de vários passageiros provenientes da Bolívia, incluindo famílias e crianças, que viajam com documentação inválida”.

Apesar dos esforços da empresa, o atraso prejudicou as férias de alguns a bordo do navio.

Leonor Garcia, 66 anos, disse ao El Pais: “Estamos trancados, não podemos sair, nem reclamar, nem nada”.

Ela acrescentou: “Eles devem nos dar uma solução, ou pelo menos um cruzeiro grátis”.

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