O preço do ouro continua a subir e esta quarta-feira atingiu mais um recorde ao situar-se nos 2288 dólares por onça. Esta subida está a ser motivada pelo possível corte das taxas de juro por parte da Reserva Federal dos Estados Unidos.

O presidente da Fed, Jerome Powell, disse na sexta-feira que os dados sobre a inflação “são os que estávamos à espera” e que “não nos vão ver a reagir de forma exagerada”.

“A expetativa de queda das taxas continua a ser um fator importante para as perspetivas de alta do ouro”, afirmou Joni Teves, analista de metais preciosos da UBS.

Os preços do metal precioso tendem a partilhar uma relação inversa com as taxas de juro: à medida que estas caem, o ouro torna-se mais atrativo em comparação com ativos de rendimento fixo, como as obrigações, que produziriam retornos mais fracos num ambiente de taxas de juro mais baixas.

Apesar de ser considerado um investimento volátil, os especialistas indicam a incerteza nos mercados e um excesso de liquidez como justificativas para este aumento. A recuperação do ouro tem sido alimentada por compras robustas dos bancos centrais mundiais, numa tentativa de diversificar as carteiras de reservas devido aos riscos geopolíticos e à inflação interna. O principal indicador de inflação do Fed para fevereiro subiu 2,8% em termos anuais.

A cotação do ouro é também determinada pelo câmbio do dólar. A divisa norte-americana é a principal moeda de reserva em todo o mundo, competindo com o ouro. É por isso que estes dois ativos têm uma correlação inversa, quando um valoriza, o outro tem, geralmente, um movimento oposto.

As eleições americanas são outro fator apontado para o aumento do preço do ouro, que está a passar pela maior valorização em mais de 50 anos.

Já em Portugal, as reservas de ouro acompanham esta trajetória, e o ouro no Banco de Portugal está avaliado em 21 mil milhões de euros, valor que duplicou na última década.

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