Prepara-se os estudantes para um desempenho individual, relacional e profissional aprimorado; porém, identifica-se uma falha crítica no que deveria ser o cerne da educação: formar não é sinónimo de decorar; formar significa aprender e desenvolver um sentido crítico apurado.

Interrogamo-nos sobre a natureza do corpo docente que possuímos e sobre o tipo de ensino que prevalece, o qual parece perpetuar metodologias desatualizadas. Constata-se que muitos jovens chegam ao mercado de trabalho sem o conhecimento básico sobre contratos, gestão de poupanças, ou crédito. De igual modo, percebemos uma falta de clareza sobre educação sexual e a liberdade de pensamento. As redes sociais desvendaram um novo paradigma de aprendizagem; perante esta realidade, não podemos opor-nos, mas sim adaptar-nos, tornando-nos participantes ativos neste cenário educativo alternativo.

Portugal alcançou progressos significativos na redução da taxa de analfabetismo, no aumento dos anos de escolaridade obrigatória e na diminuição do abandono escolar. Contudo, o sistema ainda falha na atualização de conteúdos e na incorporação de matérias essenciais para o quotidiano dos jovens, que muitas vezes são procuradas em vídeos nas redes sociais.

O modelo educacional uniformizado mostra-se ultrapassado. A configuração tradicional da sala de aula, onde o professor monopoliza a fala e os alunos limitam-se a absorver passivamente a informação, revela-se desajustada. As novas gerações exigem competências atualizadas; os alunos de hoje são inquiridores, livres, abertos ao mundo, mas continuamos a ensinar-lhes conteúdos de um mundo que já não existe ou está facilmente acessível.

A pandemia da COVID-19 catalisou a emergência de profissões nómadas e tecnológicas, salientando a necessidade de reimaginar o ambiente escolar e os conteúdos ministrados. A escola desempenha um papel preponderante na preparação dos jovens, abrindo portas para o mundo e moldando-os para enfrentarem a vida. Contudo, surge a questão: estarão as ferramentas que proporcionamos aos jovens de hoje adequadas para os preparar para uma sociedade em constante evolução? A educação financeira, por exemplo, é um campo frequentemente negligenciado, mas de suma importância na vida de qualquer indivíduo. Aprender a gerir as finanças pessoais, compreender o funcionamento do crédito e a importância do ato de poupar são competências vitais para a independência e segurança financeira dos jovens. Da mesma forma, a educação sobre saúde mental, sexualidade, nutrição, bem como as artes, frequentemente relegadas para um segundo plano ou vistas como da responsabilidade da educação familiar, são essenciais para um desenvolvimento integral do indivíduo. Vivemos numa era digital, onde a inteligência artificial, a tecnologia e as redes sociais assumem um papel preponderante. Ensinar os jovens a navegar neste mundo digital de forma responsável, compreender as suas complexidades e, igualmente importante, aprender a valorizar o mundo real e as relações humanas, torna-se imperativo. Além disso, a educação sobre direitos e deveres civis, sustentabilidade e as competências de negociação e comunicação eficaz são fundamentais para formar cidadãos conscientes, responsáveis e participativos.

Propõe-se, assim, uma reforma educativa que transcenda a simples atualização dos conteúdos; que repense o propósito da educação, preparando os jovens não só para os exames, mas para a vida, com todas as suas complexidades e desafios.

Este é um apelo a educadores, políticos e à sociedade civil para colaborarem na criação de um sistema educacional que responda às exigências do século XXI, formando não apenas profissionais qualificados, mas seres humanos completos, capazes de contribuir para um futuro mais promissor.

A sociedade encontra -se num ponto de inflexão, onde a evolução constante do tecido social e tecnológico exige uma educação que seja tanto reflexiva quanto proativa. As escolas, enquanto incubadoras do futuro, devem equipar os jovens não só com conhecimento, mas também com a capacidade de adaptar-se, inovar e contribuir de forma significativa para um mundo em constante mudança.

A reforma educativa proposta não se limita à inclusão de novas matérias no currículo; trata-se de uma transformação abrangente que visa cultivar uma mentalidade de aprendizagem contínua, pensamento crítico e empatia. Esta abordagem preparará os estudantes para enfrentar não só os desafios atuais, mas também aqueles que ainda estão por vir, com resiliência e criatividade. Os educadores desempenham um papel crucial nesta transformação, atuando não apenas como transmissores de conhecimento, mas como facilitadores de experiências de aprendizagem que promovem a curiosidade, a investigação e o pensamento crítico. A parceria entre escolas, famílias e a comunidade mais ampla é essencial para criar um ambiente educativo que reflita e responda às necessidades e aos interesses dos estudantes. A tecnologia, quando utilizada de forma estratégica e ponderada, pode ser uma ferramenta poderosa na reforma educativa, permitindo personalizar a aprendizagem e conectar os estudantes a uma vasta rede de recursos e experiências. Contudo, é fundamental manter um equilíbrio, garantindo que a tecnologia complemente, e não substitua, as interações humanas ricas e as experiências de aprendizagem que são fundamentais para o desenvolvimento social e emocional.

Por fim, a educação do século XXI deve ser uma caminhada coletiva de descoberta, inovação e crescimento. Ao reinventarmos a educação, não estamos apenas a preparar os jovens para o mercado de trabalho, mas estamos a equipá-los para liderar vidas significativas, contribuir para a sociedade de forma positiva e enfrentar os desafios globais com compaixão e compreensão.

Este é o momento para uma ação decisiva, para uma colaboração sem precedentes entre todos os intervenientes no sistema educativo. A educação é o investimento mais crucial que podemos fazer no nosso futuro coletivo. Estamos preparados para assumir este desafio e reimaginar a educação para uma nova era?

A tarefa é imensa, mas a oportunidade de fazer a diferença na vida de inúmeras gerações futuras é uma inspiração e um chamado à ação que não podemos ignorar. Juntos, podemos construir um sistema educacional que não só responda às necessidades do presente, mas que antecipe e prepare os jovens para os desafios do futuro.

Falhar na educação é falhar coletivamente, a hora de agir é agora!

Fuente