EOs jovens portugueses estão a optar por comprar os livros que querem ler na língua original – principalmente em inglês. Há uma preocupação no sector editorial quanto a isso.

“Se fizermos aqui um fechar-se à literatura importada, ela cresceu neste primeiro trimestre de 2024, 33%, face ao mesmo trimestre do ano passado. Neste momento representa, no total do mercado, à volta de 3,6%”, dizia o presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) no passado Dia Mundial do Livro. Ler artigo.

(fotografia de Manuel Roberto)

Mais recentemente fomos falar com alguns desses jovens para perceber melhor quais são as razões dessa escolha. A jornalista Sofia Neves falou também com vários editores portugueses. Um deles faz até uma proposta radical em relação ao cheque-livro.  Ler o artigo aqui. E vocês, o que acham?

Também no Ípsilon, na sua crónica, António Guerreiro voltará ao tema.

Despedidas

Casimiro de Brito, poeta pertencente à geração da Poesia 61, antigo presidente do CANETA. Clube Português​, morreu nesta quinta-feira em Braga. O jornalista Luís Miguel Queirós escreveu esta quinta-feira o obituário do autor de Imitação do prazer.

(Poeta Casimiro de Brito fotografado em Querença, no seu município natal de Loulé, Algarve VASCO CÉLIO/ARQUIVO)

Também o sociólogo Ricardo Monis, autor da série de livros infantis Ricky, que escreveu com o primo Lucas Chipenda e o ilustrador Nuno Salvada, morreu na terça-feira. Ricky tem como personagem principal um menino que anda numa cadeira de rodas. A editora vai publicar o segundo volume da colecção Ricky no Outono deste ano e Ricardo Monis, que tinha uma doença neuromuscular degenerativa, chegou ainda a concluir o texto de um terceiro volume. Ler mais.

Aquela que foi a primeira canadiana a receber o Nobel da Literatura, a contista Alice Munro, também morreu no início desta semana. A jornalista Isabel Lucas escreveu o obituário. A sua obra está publicada por cá pela Relógio D’Água e podem reler também o texto que Luís Miguel Queirós escreveu quando a escritora recebeu o prémio Nobel.

Lá fora

(cortesia FEIRA INTERNACIONAL DO LIVRO DE BUENOS AIRES)

Regressei há dias da Feira Internacional do Livro de Buenos Aires. Aqui vos deixo as duas reportagens que fiz no evento em que Lisboa era cidade convidada de honra: Lisboa (e Lídia Jorge) em Buenos Aires a unir o que a vida e a distância separaram (ler aqui) e Em Buenos Aires, ir à Feira do Livro pode ser um acto de resistência cultural (ler aqui).

ENTREVISTA Tornou-se popular em Berlim, como DJ, com as suas festas para emigrantes russos. Pequeno-Almoço à Beira do Apocalipse é um livro de crónicas assertivas, brilhantemente escritas e cheias de humor diz-nos o crítico José Riço Direitinho que entrevistou para o escritor Wladimir Kaminer. Ler no Leituras.

Nas livrarias nesta semana​

NÃO-FICÇÃO

A Desoras – diário (2017-2023)

Autoria: Marcello Duarte Mathias

Editora: Dom Quixote
320 páginas; 21€

Nas livrarias a 14 de Maio

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“Resoluções definitivas… Decidir não mais escrever diários é como deixar de fumar. Passados uns tempos, volta-se atrás com mais ímpeto. Fumo do meu cigarro (…) [7 de Agosto 2017].” Este é o sexto volume do diário de Marcello Duarte Mathias, que vai de 2017 a 2023 e está inserido no conjunto a que o premiado escritor e diplomata deu o nome de No Devagar Depressa dos Tempos. “Este andar distraído por entre coisas e loisas, meio turista, meio carrinho. A cada um o seu DNA ou os seus vários DNAs. Seduzido aqui, solicitado acolá, entusiasmado por isto ou por aquilo, espectador dos outros e de mim mesmo entre os outros. A olhar-me à distância, como se fosse um deles. E assim o tempo foi correndo à minha frente, e eu fui-me deixando distanciar. E fiquei aquém. Depois inventei propósitos e trajectórias. Alguns terão talvez acreditado. Eu, não. (…)”, escreveu a Duarte Mathias a 4 de Novembro do ano passado.

NÃO-FICÇÃO

Faca – Meditações na Sequência de uma Tentativa de Homicídio
Autor: Salman Rushdie

Tradução de J. Teixeira de Aguilar

Editora: Dom Quixote
272 páginas; 18,80€

Nas livrarias a 14 de Maio

COMPRAR

“Vejo o momento ainda em câmara lenta. Os meus olhos seguem o homem que corre, saltando do meio do público para se aproximar de mim. Vejo-me a levantar-me e a voltar-me para ele. (…) Levanto a mão esquerda, num momento de autodefesa. Ele crava-lhe a faca. A seguir há muitos golpes, no pescoço, no peito, no olho, em toda a parte. Sinto as pernas fraquejarem e caio.” Salman Rushdie não usa o nome daquele que o tentou assassinar. Chama-lhe A. “Este ‘A’ não cuidou de se informar sobre o homem que decidira matar. Segundo ele próprio reconheceu, leu escassamente duas páginas do que eu escrevi e viu um par de vídeos meus no YouTube, e não precisou de mais. Daqui podemos deduzir que, fosse o ataque pelo que fosse, não foi por causa de Os Versículos Satânicos. Vou tentar neste livro compreender por que razão foi.” Podem ler a recensão de Isabel Lucas no Leituras.

No Leituras podem consultar as novidades que têm chegado às livrarias nas últimas semanas: na secção dedicada às saídas de livros.

O editor do Ípsilon, Pedro Rios, escreve sobre Como o Ar que Respiramosde Antonio Monegall Consulte Mais informação

E ainda

Exposição em Lisboa até 8 de Setembro: O poeta, o artista e os livros que cada um quis guardar estão na Casa Fernando Pessoa: Os livros que Almada Negreiros e Fernando Pessoa reuniram falam-nos de cada um deles, mas também dos projectos que partilharam e dos amigos em comum. Ler a a reportagem da jornalista Lucinda Canelas.

E hoje chega às livrarias K., de Roberto Calasso (edições 70). No Leituras podem ler a pré-publicação.

Em Canto do AumentoAndreia C. Faria regressa à prosa para falar do nosso tempo, sem propor receitas ou soluções. Face à “miséria da imaginação”, o que fazer? Talvez voltar atrás. Entrevista feita por Amanda Ribeiro. Ler no Leituras.

​Andrea Wulf tem um novo livro, Rebeldes Magníficos – Os Primeiros Românticos e a Invenção do Eue o jornalista Nicolau Ferreira entrevistou-a. Ler a entrevista no Leituras.

Está em equatoriana Mónica Ojeda é também uma escritora a descobrir. Ler aqui.

Amanhã é sexta-feira e o Upsilon estará nas bancas

Pedro Cabrita Reis juntou em Ateliê obras de 50 anos de criação. A crítica de artes plásticas Luísa Soares de Oliveira e o fotógrafo Rui Gaudêncio assinam a reportagem e entrevista que é o tema de capa do Ípsilon da próxima sexta-feira.

Até para a semana.

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