Directo ao assunto: à milésima crónica, eis-me a escrever de novo acerca do Acordo Ortográfico. E quando escrevo “milésima” é mesmo em sentido literal, já que esta é a crónica número mil (entre os milhares de textos que escrevi no PÚBLICO desde a sua fundação) na série iniciada em Fevereiro de 2007 sob a designação “Em Público”. Quem me lê, sabe do que tenho falado ao longo destes anos, e um dos temas é necessariamente o Acordo Ortográfico de 1990 (AO90). Há quem ache que falo demasiado do assunto e quem entenda que falo pouco. Pois bem: em nome do rigor, fui ver. Em mil crónicas, ele foi tema de 145, contando com a de hoje. Nelas, percorri tudo o que o dito acordo me suscitava, desde uma fundamentada rejeição (partilhada por muitos cidadãos onde o português é língua oficial) até aos erros crassos, incongruências, malabarismos, promessas falsas e demagogias fáceis que o texto difundia e incentivava, para promover “fiéis” e cativar os incautos que viam nele uma luz de futuro; não era, nunca foi, e, pelo que vemos ainda hoje, é mais uma excrescência do passado. Mas vamos, então, ao que nos traz de volta ao tema.

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