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Deve o eleitorado ser impedido de saber que um deputado acredita em coisas abjectas?

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Duas semanas depois de a primeira figura do Estado ter dito que os orientais são lentos, perguntaram à segunda figura do Estado se alguém pode dizer coisas desagradáveis sobre outras etnias. Convenhamos que, dadas as circunstâncias, a pergunta era um pouco embaraçosa. Além disso, a pergunta foi feita por uma deputada do PS, partido que tem um entendimento bastante restritivo da liberdade de expressão. Quando, há quatro anos, Ferro Rodrigues decidiu advertir André Ventura por usar demasiadas vezes a palavra “vergonha”, que considerava ofensiva, a bancada do PS aplaudiu. Quando Ventura perguntou se o seu direito de usar a palavra “vergonha” não estava protegido pela liberdade de expressão e Ferro Rodrigues respondeu que “não há liberdade de expressão quando se ultrapassa a liberdade de expressão dos outros, que é aquilo que o senhor faz na maior parte das vezes que intervém”, a bancada do PS aplaudiu de novo. Para complicar o problema, a deputada do PS que fez a pergunta era Alexandra Leitão. Quem reprova a promiscuidade entre a política e o comentariado não precisa de se preocupar com Alexandra Leitão. Não se verifica o problema de termos a mesma pessoa no Parlamento e na televisão, porque ela é uma pessoa quando ocupa o cargo de deputada e outra quando exerce as funções de comentadora. Na altura em que o presidente da Assembleia da República lhe respondeu à pergunta dizendo “no meu entender, pode”, Alexandra Leitão retorquiu “no meu, não”. Mas no programa “O Princípio da Incerteza” disse que “ninguém falou em tirar a palavra” e acrescentou que “preferia que esse tipo de discurso fosse objecto de um reparo, de uma advertência. É só isto que está em causa”. Portanto, nenhuma resposta de Aguiar Branco seria satisfatória. Respondendo que aquele tipo de discurso pode ser proferido, escandalizou Alexandra Leitão, que acha que não pode; se tivesse respondido que não pode, teria melindrado Alexandra Leitão, que acha que pode mas deve ser apenas alvo de uma advertência.

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