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NATO acorda financiamento de €40 mil milhões a Kiev e "caminho irreversível" para adesão

Os chefes de Estado e de governo da NATO comprometeram-se esta quarta-feira com um mínimo de 40 mil milhões de euros para apoiar em 2025 o esforço de guerra ucraniano, declarando um “caminho irreversível” para a adesão da Ucrânia.

“Através de contribuições proporcionais, os aliados pretendem fornecer um mínimo de 40 mil milhões de euros em financiamento durante o próximo ano e fornecer níveis sustentáveis de assistência à segurança para que a Ucrânia tenha sucesso”, perante o invasor russo, refere a declaração dos líderes da NATO, na cimeira que se realiza esta semana em Washington.

O objetivo é contribuir para a criação de “uma força capaz de derrotar” a Rússia e dissuadi-la de novos conflitos no futuro. O valor acordado tem em conta as necessidades da Ucrânia, os respetivos procedimentos orçamentais nacionais e os acordos bilaterais de segurança celebrados com Kiev.

Na declaração, os países membros referem que “irão reavaliar os contributos dos aliados nas futuras cimeiras da NATO”, começando pela que terá lugar no próximo ano em Haia. O valor está relacionado com a aquisição de equipamento militar, despesas de manutenção, logística e transporte, gastos com treino militar, bem como investimentos em infraestruturas de defesa ucranianas.

Os aliados apresentarão relatórios à NATO sobre o apoio prestado através deste compromisso duas vezes por ano, sendo que o primeiro incluirá contribuições entregues após 1 de janeiro de 2024. Nesta base, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, fornecerá aos países-membros uma visão geral de todas as contribuições notificadas.

Os aliados salientaram também que apoiam plenamente o direito da Ucrânia de escolher as suas próprias disposições de segurança e de decidir o seu futuro, livre de interferências externas.

Os líderes da NATO declararam o apoio à Ucrânia no seu “caminho irreversível” rumo à integração na Aliança Atlântica, e comprometeram-se a fazer um convite de adesão a Kiev quando estiverem reunidas as condições. “O futuro da Ucrânia reside na NATO”, acrescentaram.

No texto, é reafirmado que a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia “abalou a paz e a estabilidade na região euro-atlântica” e “minou gravemente a segurança global”

Os estados-membros da Aliança Atlântica anunciaram ainda a criação da chamada Assistência e Treino de Segurança (NSATU) para coordenar o fornecimento de equipamento militar e de formação a Kiev por parte dos aliados e parceiros.

A NSATU, que irá operar nos países aliados, apoiará a autodefesa da Ucrânia de acordo com a Carta das Nações Unidas e o direito internacional, destacando-se por outro lado que este instrumento não fará da NATO uma parte no conflito, mas apoiará a transformação das forças ucranianas e permitirá a sua maior integração com a Aliança.

Da mesma forma, concordaram em estabelecer um Centro Conjunto de Análise, Formação e Educação NATO-Ucrânia, que consideraram “um pilar importante da cooperação prática” para identificar e aplicar lições da invasão da Rússia e aumentar a interoperabilidade entre as forças de Kiev e a Aliança Atlântica. Os líderes saudaram também a decisão de Stoltenberg de nomear um representante da NATO na Ucrânia.

Os líderes da NATO comprometeram-se hoje a reforçar a sua capacidade industrial no domínio defensivo e a proteger as suas cadeias de abastecimento, considerando que a cooperação nesta área é parte crítica da sua segurança e dissuasão.

Aliados comprometem-se com reforço da indústria de defesa

Os líderes da NATO comprometeram-se, também, a reforçar a sua capacidade industrial no domínio defensivo e a proteger as suas cadeias de abastecimento, considerando que a cooperação nesta área é parte crítica da sua segurança e dissuasão.

“A indústria de defesa dá-nos o equipamento de que precisamos para combater, fortalece a nossa vantagem tecnológica e desempenha um papel importante no aumento da prontidão e interoperabilidade das nossas forças”, afirmaram os líderes da NATO na declaração conjunta da cimeira da organização que decorre em Washington.

O reforço da indústria de defesa, de acordo com o texto, torna a Aliança Atlântica mais apta para cumprir os requisitos dos planos de defesa da NATO “em tempo útil” e sustenta o apoio imediato e duradouro à Ucrânia. Os membros da Aliança Atlântica salientaram que a segurança de quase mil milhões de cidadãos depende de investimentos na dissuasão e na defesa.

A invasão russa da Ucrânia e a transição da Rússia para uma economia de guerra demonstram, prossegue o documento, a importância estratégica desta indústria. Os aliados comprometeram-se em acelerar o crescimento da capacidade e produção industrial de defesa, promovendo uma indústria inovadora, competitiva e sustentável, onde a cooperação recíproca e a abertura sejam a norma.

“Tentaremos abordar as restrições ao financiamento dos investimentos industriais de defesa e promover a natureza ética do seu contributo para a paz e segurança”, afirmaram os líderes na declaração, na qual se comprometem a partilhar os respetivos planos, mas deixando-os ao critério de cada país.

Cada aliado redigirá o seu próprio plano, decidirá como melhorar a capacidade industrial e de resposta, revendo-o periodicamente, apresentará relatórios anuais com base em resultados mensuráveis ??e acelerará a adoção de novas tecnologias.

Os membros da NATO consideram também essencial promover aquisições conjuntas para reforçar a interoperabilidade e uma melhor relação qualidade-preço, e optam também por aumentar a cooperação tanto com a Ucrânia como com parceiros como a Austrália, o Japão, a Nova Zelândia e a Coreia do Sul.

Os aliados sublinham que a proteção da cadeia de abastecimento é igualmente crítica para que a Aliança desenvolva “capacidades militares livres da influência hostil de potenciais adversários”.

O Presidente norte-americano, Joe Biden, anfitrião da cimeira, tinha declarado hoje que esta promessa coletiva envia ao mundo a mensagem de que os aliados estão determinados a manter a NATO forte e a proteger “cada centímetro do seu território”.

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