Falta de transparência na admissão: Ceta Construções é acusada de corrupção

IMG_20160927_093228-300x225 Falta de transparência na admissão:  Ceta Construções é acusada de corrupçãoQuelimane (Txopela) – Mais de uma centena de cidadãos estiveram esta terça-feira (27) defronte do local onde será erguida a Escola Secundária de Quelimane no bairro Manhaua, pedindo transparência aos gestores da Ceta construções, pois segundo dizem, já lá se vão mais de 6 meses que submeteram documentação para fazer parte da equipa de construção da obra, mas resultados não saem.

A nossa reportagem testemunhou este momento e foi visível a indignação de pessoas no local, face a insensibilidade dos gestores da empresas que vêem caras das mesmas pessoas todos santos dias, desde Dezembro do ano passado e algumas, desde Março deste ano.

Porem, o dia 27 já teria sido reservado para o arranque dos trabalhos, mas na lista afixada na vitrina institucional constavam apenas 62 nomes quando no concurso lançado teriam sido anunciadas mais de 200 vagas.

Para os lesados, o problema reside no facto de falta de transparência mesmo na selecção dos admitidos, ou seja, dos que constam na lista, segundo avançam, não submeteram os documentos e são aqueles que já vem trabalhando com eles a bastante tempo e se há novos tiveram que subornar.

Lopes Confiança, um dos concorrentes, disse que deixou sua documentação em Dezembro do ano passado e ainda recentemente submeteu outros documentos, mas os nomes constantes nas listas afixadas não reflectem os concorrentes. “Eu não sei se eles querem alguma coisa em jeito de suborno, mas tinham que dizer claramente para ver se conseguimos constar nas listas. Os nomes que constam nas listas são de indivíduos provenientes do distrito de Morrumbala, porque o responsável da obra é oriundo de lá”, – disse.

Leia:  Máquinas e auto-emprego para empoderar a rapariga

“Nos andamos bastante aqui, um homem quando procura emprego espera alguma coisa e quando o dia marcado chega e nada acontece isso constrange bastante. Entregamos documentos solicitados mas nas listas constam pessoas que não concorreram e ficamos sem saber quando as pessoas que estão fora serão contempladas”, – disse um outro cidadão que escusou-se revelar a sua identidade.

Outro cidadão que se identificou por Jaime Lemos, disse estar com sentimento de dor porque segundo disse, em Dezembro meteu documentos na secretaria da Ceta, mas o que lhe parece este não estão a funcionar e recentemente foram recolhidos outros documentos mas os nomes na lista não são de pessoas que concorreram.

“Nomes que saíram ali não são dos documentos que o director levou, são outros nomes, de pessoas que vêm trabalhando com eles e daqueles que são seus conhecidos. Eu quero que eles venham dizer que o limite esgotou e nos vamos para casa ver se fazemos outras actividades, mas eles não dizem nada, entram e saem, todos dias.

Um pedreiro que omitiu sua identidade, disse que o mais caricato há pessoas que lá estão e remeteram documento por portas traseiras e quando questiona lhe dizem claramente que estes subornaram. “Nos outros que não conseguimos subornar como vamos fazer. O próprio director diz, vocês não se cansem, nós vamos admitir. Aqui funciona admissões clandestinas, há pessoas que já subornaram 2000 meticais, há quem já tirou congelador da sua casa para subornar. Há pessoas que também tiraram congeladores mas não conseguiram estar dentro, – lamentou para depois sublinhar não saber a sua finalidade.

Há pessoas que saíram de outros distritos para concorrer mesmas vagas. Tal é o caso, por exemplo, da senhora Arlinda Naquela. Esta disse estar bastante ressentida com o facto; saiu de Gurué desde o mês de Março, não tem esposo e ninguém que a sustente em Quelimane, esta viver à custa de Deus, para ver se consegue emprego, mas não há lealdade por parte dos empregadores.

Leia:  Adolescente morre afogado em Nacala-Porto

“Pelo menos nos dizerem que não há vaga, nos vamos descansar em vez de nos fazerem sofrer assim, nos vínhamos gordos mas os calções já estão a cair, estamos a emagrecer, vir amanha, vir amanha, que digam pelo menos que quem não tem dinheiro para entrar, vale a pena descansar, nos entenderíamos isso”, disse visivelmente agastada com a situação, um sentimento quase generalizado entre os que concorrem as tais vagas de emprego.

O que a direcção diz?

Entretanto, a reportagem do semanário Txopela, procurou ouvir a direcção da Ceta, construções SA, para apurar a sua versão sobre o facto de que os munícipes se queixam.

Num contacto de intenção com o director da obra, Eng. Jovenal, este disse que os concorrentes não tinham motivos para se queixar mas não explica claramente a situação. Aliás, este escusou-se gravar entrevista e prometeu reagir oportunamente.

Mesmo assim, em conversa com a nossa reportagem, fala superficialmente do facto e como os lesados tinham acesso a conversa iam falando em surdina que as declarações são falsas.

Para todos efeitos aguardamos a sua reacção e assim traremos nas próximas edições no nosso jornal. (Ernísio Daniane)

LIVRE & INDEPENDENTE

© Jornal Txopela, 2017
Todos os direitos reservados
Fundado em 2014

REGISTO Nº 01/GABINFO-DEC/2016. © AFRO MEDIA COMPANY
Ir para a barra de ferramentas