Exploração de areias pesadas em Maquival: NÃO QUEREMOS!

Nangoela-Quelimane-300x200 Exploração de areias pesadas em Maquival: NÃO QUEREMOS!A população residente na localidade de Nangoela, região costeira do Posto Administrativo de Maquinal, Distrito de Quelimane reprovou a intenção do Governo moçambicano em desalojar um total de 240 famílias das suas terras para dar lugar à execução do projecto das areias pesadas naquela circunscrição geográfica.

Quelimane (Txopela) — Este posicionamento foi defendido pelos populares semana finda a quando de uma visita do Chefe do Executivo da Zambézia, Abdul Razak, no quadro de uma visita de balaço das actividades desenvolvidas pelo Governo distrital de Quelimane no período compreendido entre 2016 ao primeiro semestre de 2017.

Os cidadãos foram unânimes em afirmar que tal projecto vai regredir o bem-estar e o crescimento sócio-económico da população afectada para além de questões ambientais que não se afiguram benéficas para a região.

O projecto de exploração de areias pesadas vai ocupar uma área estimada em 5.786 hectares de terra considerada própria para habitação, para além de reunir condições favoráveis para o cultivo de uma série de plantas agrícolas, incluindo coqueiros. O Semanário Txopela apurou que para além da transferência de famílias, outro grupo de pessoas está em risco de perder as suas machambas, num total de 60 propriedades com licenças de uso e aproveitamento da terra (DUAT).

Dirigindo-se aos populares em tom de anúncio de uma boa nova aos cidadãos residentes naquela localidade, Abdul Razak, referiu que o projecto possui uma mais-valia na medida em que poderá oferecer novos postos de emprego aos jovens e igualmente robustecer financeiramente os cofres do Estado, segundo defendeu tal facto poderá ajudar ao Governo à melhorar as condições de transitabilidade, construção de novas infra-estruturas sociais entre outros.

A Afrika Yuxiao Mining Development, empresa chinesa à frente do projecto nos distritos de Quelimane, Chinde e Inhassunge este ultimo onde exploração e processamento de areias pesadas já teve inicio, investe cento e trinta milhões de dólares, o equivalente a 4.3 mil milhões de meticais do Fundo Chinês, o projecto contempla ainda a construção de um Porto na Doca Seca em Quelimane, o melhoramento de estradas, construção de escolas, transporte de corrente eléctrica e vai empregar cerca de trezentos trabalhadores, oitenta por cento dos quais recrutados localmente.

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Embora as aparentes vantagens a população continua reticente relactivamente aos benefícios directos e por constituir uma grave possibilidade de os agricultores perderem as suas machambas, recorde-se que a principal actividade económica desenvolvida por aqueles cidadãos centra-se essencialmente na produção agrícola e venda dos produtos no mercado local.

Outra força que se opõe directamente ao projecto são as organizações da sociedade civil baseadas em Quelimane que julgam não haver condições para à implementação da iniciativa, um relatório ambiental largamente debatido em fóruns que reuniram membros do Governo, proponentes da iniciativa, e a sociedade civil nos meandros de 2016, as organizações da sociedade civil questionaram alguns aspectos relacionados com o reassentamento da população circunvizinha do local do projecto.

Na ocasião, a sociedade civil exigiu do Governo o esclarecimento de aspectos relacionados com as indemnizações da população a ser reassentada, que vai deixar as suas habitações, terras de cultivo e as respectivas culturas, bem como do tipo de condições a serem criadas nos respectivos bairros de reassentamento.

A posição do Governo da Zambézia

Falando ao Jornal Txopela, o Governador da Zambézia, Abdul Razak referiu que embora a actual administração encontre no projecto ganhos assinaláveis para à economia da província e nacional, os interesses da população residente nas zonas abrangidas pelo projecto é superior, tendo afirmado na ocasião que o executivo da Zambézia pondera nos próximos dias sentar à mesa com os representantes da empresa proponente do projecto para colocar a par sobre a posição da população, Razak foi mais sintético “se há população não quer, nos só podemos obedecer.”

O Jornal Txopela apurou que a efectivar-se o projecto de exploração de areais pesados em Maquinal o Governo despachou um aval para a empresa Afrika Great Wall Mining Development Co. Lda. A trabalhar em Maquival durante 50 anos. O projecto é extensivo à região de Namuinho onde se confirma a ocorrência de um potencial de reservas de areias pesadas avaliado em 134.875,064 toneladas.

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As reservas do distrito de Quelimane representam a mais recente descoberta do vasto potencial de recursos minerais existentes na província da Zambézia. Actualmente, está em execução nesta parcela do país um importante empreendimento neste campo de actividade, concretamente na localidade de Dea, zona costeira do distrito de Chinde, numa área que inclui os distritos de Inhassunge e Nicoadala.

A firma está no terreno desde 2014 e entrou para a fase de exploração das areias pesadas, tendo realizado já as primeiras exportações de ilmenite, rutilo e zircão para a China, EUA e outros países, cujas quantidades não foram especificadas.

Enquanto isto, aguarda-se pelo fecho do processo para o avanço do projecto de exploração das areias pesadas apresentado pela companhia Pathfinder Moçambique S.A, que, conforme dados disponíveis, se propõe a operar em duas regiões do distrito costeiro de Pebane, concretamente em Moebase e Naburi.

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