Namacurra com inúmeras potencialidades e um Governo “dorminhoco”

Namacurra--300x199 Namacurra com inúmeras potencialidades e um Governo “dorminhoco”Zito Ossumane em Namacurra

Quelimane (Txopela) — Namacurra, um dos distritos com maior número de pessoas infectadas pelo HIV Sida na Zambézia e uma taxa de desemprego assustadora comparada com as dos distritos circunvizinhos a pobreza estampada em cada rosto dos cidadãos daquela circunscrição denuncia que não há tréguas e avança de forma implacável para o espírito de uma população cada vez mais jovem.

Há gritantes problemas no fornecimento de água potável e o mesmo acontece na questão da corrente eléctrica, há intermitente cortês no fornecimento destes ao público. A única estação de rádio comunitária é que garante o acesso a informação. A televisão e jornais por razões óbvias não chegam até aos pacatos cidadãos.

O Distrito de Namacurra não precisa de nenhum índex para se revelar ao mundo como um distrito esquecido, pelo menos na província da Zambézia. Aquela circunscrição geográfica continua a reivindicar o estatuto de distrito, falta-lhe quase tudo, menos as bebidas alcoólicas e o sexo pré-pago que preenchem as vagas de lazer…

Fábrica de descasque de arroz inoperacional

A fábrica de processamento e descasque de arroz, construída no distrito de Namacurra, província central da Zambézia, está parada desde 2015. O empreendimento deveria gerar oportunidades de emprego para 160 pessoas, alguns dos quais em regime de estágios, que assegurariam entre várias actividades o ensaio, teste, inspecção, entre outras. E tudo ficou por isso. Segundo apurou o Semanário Txopela a construção da fábrica custou cerca de nove milhões de dólares, co-financiados por um banco da China e erguido por uma empresa do mesmo País. A infra-estrutura fabril inclui, entre várias unidades de produção, uma área de medição do arroz, moageira, reserva de silos e armazém, com uma capacidade para processamento de 70 quilogramas por cada minuto.

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Segundo dados das autoridades, funcionando em pleno, a capacidade real de processamento atinge 150 toneladas de arroz em bruto por dia, com vista à extracção de 100 toneladas de arroz limpo, cinco toneladas de arroz trica, 30 toneladas de farelo e 15 de casca.

A Reportagem do Semanário Txopela soube de fontes da instituição de que a indústria já havia conseguido amealhar um memorando de entendimento com a multinacional OLAM, que esteve apostada na produção empresarial de arroz no regadio de Tewe, no distrito de Mopeia. No memorando, a multinacional propunha a alimentar a fábrica de Namacurra com uma produção total de 1.500 toneladas.

A matéria-prima para o pleno funcionamento da fábrica deveria segundo os cálculos do Governo distrital ser rebuscado de Caia, na província de Sofala, para reforçar as quantidades provenientes das zonas de Maganja da Costa, Namacurra, Mopeia, Inhassunge, Chinde, Nicoadala, para além da cidade de Quelimane. Feitas as contas a fabrica está parada por conta da falta de matéria-prima principalmente.

Não há rede bancária

A população clama pela instalação de uma agência bancária. O pedido não é recente e arrasta-se de ano para ano. A população do distrito de Namacurra, situada ao longo da estrada nacional numero 6, aproximadamente 75km da capital provincial, Quelimane, não sabe onde guardar o seu dinheiro, aliás, funcionários públicos que auferem os seus salários em bancos comerciais explicaram ao Semanário Txopela que percorrer cerca de 40Km até ao distrito circunvizinho de Nicoadala é desvantajoso principalmente porque há condições propiciais para sofrerem assaltos ao longo do percurso de regresso já com o dinheiro não mão. Entretanto fontes da administração distrital informaram a nossa reportagem de que há pretensões de ao longo deste ultimo semestre ser instalada uma agência bancária no coração da vila que deverá ajudar sobremaneira aos cidadãos residentes naquele ponto da província.

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Juventude desnorteada

A inoperância de grandes projectos em Namacurra é um facto histórico cuja cronologia destes acontecimentos o tempo tratou de preservar o documentário longo que não cabe nestas linhas, mas enquanto não há espaço para gatafunhar o trajecto infeliz a que o Governo votou aquele distrito o que existe excessivamente são lamentações dos populares que viram Namacurra num ponto alto, quando tinha em funcionamento uma fábrica de processamento da castanha de caju, que a guerra levou consigo, deixando apenas paredes em cinzas.

Com a destruição da fábrica de processamento da castanha de caju, a vila sede de Namacurra viu muita mão-de-obra vagueando de um lado para outro. A juventude, preferiu enveredar pelo comércio informal, vendendo, bananas, matago (produto resultante da transformação
do arroz fresco), laranjas, etc, como forma de conter a dor após a destruição daquela infra-estrutura que o distrito teve. As vozes dissonantes ao Governo vaticinam a morte prematura da actual fabrica de descasque de arroz, suportando-se da ideia de que não há condições de prosseguir e gerar melhorias, questões como a mão de obra local, criação de campos de cultivo e agricultura mecanizada são pontos que os nossos entrevistados alegam não terem sido devidamente estudados e acautelados no projecto de construção da fabrica para além da má vontade do Governo em ver o projecto em andamento pleno.

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