Não ao aproveitamento político do assassinato de Amurane! — Miguel Luís

Miguel-Luis-260x300 Não ao aproveitamento político do assassinato de Amurane! — Miguel Luís

Miguel Luís, estudante moçambicano de Direito em Lisboa, Portugal

Na noite do passado 04 de Outubro, data em que o país celebrava 25 anos após a assinatura do Acordo Geral de Paz, que marca o fim da guerra civil no País, fomos todos surpreendidos pela morte do presidente do Concelho Municipal de Nampula, Dr. Mahamudo Amurane, vítima de baleamento por indivíduos até agora desconhecidos!

Este assassinato vem mais uma vez revelar o quão o respeito pelos direitos humanos em Moçambique é ténue. Se no ano antepassado assassinaram o constitucionalista Gilles Cistac, dias depois de ter expressado um parecer diferente do que a maioria era apologética, e no ano passado ter sido assassinado Pondeca, neste ano junta-se à lista mais um político morto à bala.

Em razão das desavenças com a liderança do partido do qual fez parte e com o qual chegou à liderança do concelho municipal de Nampula, não demorou nem uma noite para que a morte do finado fosse logo associada à desavença ora aludida!

É difícil falar do assassinato de Amurane sem ter em conta motivações políticas, porém cabe a todos deixar a emoção de lado e pensar que embora Amurane fosse político, este também tinha sua vida particular, na qual granjeou simpatia de alguns e antipatia de outros, como qualquer ser social que existe na face da terra. Em face disso não podemos descorar a possibilidade do motivo do seu assassinato ter haver com motivações não políticas, assim também como ao associarmos o seu assassinato a motivações políticas não podemos descorar a possibilidade de este assassinato nada ter com a desavença com a liderança do MDM e ter haver com outra motivação política que não é do domínio público.

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Tenho visto desde a noite do assassinato de Amurane aproveitamento político da sua morte. Embora ele fosse uma personalidade pública não nos esqueçamos de que ele tinha esposa, filhos e amigos. Respeitemos a sua memória e não façamos aproveitamento político de sua morte.

Em casos de assassinatos de personalidades públicas a nossa polícia nos habituou ao não esclarecimento, contudo, acreditando no bom senso da mesma, apelo que esta trabalhe arduamente para esclarecer o assassinato de Amurane e levar os seus responsáveis materiais e morais à barra da justiça, pois mais uma vez o Estado de Direito Democrático que se encontra em construção está em causa!

Até sempre Mahamudo Amurane!

Miguel Luís

* Estudante moçambicano de Direito em Lisboa, Portugal

 

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