No dia em que a imprensa colocou de cócoras o Governo

IMG_6844-300x257 No dia em que a imprensa colocou de cócoras o Governo

Zito do Rosário Ossumane — Director Editorial do Jornal Txopela

A província da Zambézia é por consenso o novo baluarte de uma imprensa livre e Independente em Moçambique, nas últimas décadas a imprensa nesta parcela do País cultivava com romantismo uma informação apaixonada e de defesa do Governo. Foram muitos e demorados anos desse jornalismo administrativo, narrando apenas o que satisfazia ao Governo. Quebrou-se a tradição! A imprensa pública tanto quanto a privada confeccionou um pacto para um jornalismo patriótico para incrementar um pensamento crítico, um interesse natural de repórter e investigações na óptica do interesse público.

As razões por detrás desta mudança radical, lá vamos chegar, facto é que os jornalistas têm agora “ordens” para fazer o que sempre deveriam ter feito, jornalismo, e para ser o que sempre deveriam ter sido, jornalistas.

A imprensa hoje busca arcar com as suas responsabilidades para com a sociedade, mormente a de passar informações objectivas e verosímeis aos cidadãos, a obrigação de dizer o que a sociedade espera deles e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de assumir um jornalismo guardião dos cidadãos – em que os meios de comunicação social protegem os cidadãos de eventuais abusos de poder por parte dos governantes.

As últimas Reportagens publicadas por diversos órgãos de informação sobre envolvimentos de directores provinciais e outros quadros seniores da província nas teias da corrupção são provas inequívocas de que a corda que suportava esse atrelamento ao poder começa a corroer-se. Há liberdades embora alguns sequazes do regime intentem sem pudor contra quando podem. Foram vários anos de um jornalismo cinzento e aprisionado aos interesses económicos e /ou políticos, nos dias correm tenta-se quebrar esta tradição.

De resto, há uma necessidade de as redacções como os próprios leitores, ouvintes, telespectadores de estarem mais preocupados com a justiça social, serem vigilantes, é preciso acabar com a impunidade dos governantes corruptos e que lesam o País em milhões de meticais, votando de forma lúcida para que milhares de cidadãos sofram.

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É preciso incentivar esse jornalismo serio e patriótico que teima em nascer nas nossas redacções, é esse jornalismo que o País e a província de forma particular precisa para atingir outros patamares de desenvolvimento e justiça. Aos mercenários de plantão, aqueles que usam da profissão para cumprir agendas estranhas e aqueles que ousam corromper-se ofendendo a integridade de muitos profissionais do ramo o recado é directo e sincero, vamos expurgar!

 

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