“Que péssimo exemplo de filhos Zena Abacar tem…”— Virgilio Dêngua

Sintam-se educadamente cumprimentados. Espero que a tão bondosa mão de Deus, todo-poderoso, tenha espalhado chuva de bênçãos para cada um de vós. Porém, o sábado 26 de Agosto de 2017 não foi tão bom quanto deveria ser, precisamente aos organizadores do espectáculo que visava angariar fundos para ajudar a saudosa cantora Zena Abacar que se encontra enferma. Facto curioso é que a adesão não foi massiva como esperado. Praticamente ninguém foi.

Mercê desse acontecimento as redes sociais transformaram-se em autênticos muros de lamentações. Uns reclamavam o facto de outros não terem ido – mesmo sabendo que eles próprios não foram, alguns pelo facto de o show custar quinhentos meticais, já outros murmuravam porque o empresário Faizal António não ofereceu dinheiro para apoiar Zena. É, de facto, uma situação constrangedora e séria para o nome e reputação da nossa cultura.

Na verdade, há que se parar para nos auto-questionarmos sobre a lógica das coisas e o conceito de caridade. “Dar sem esperar nada em troca” – deveria ser esta frase a guia de todos os que tendem a lamentar. É deveras feio viver diante de uma sociedade em que o espírito de dependência absoluta ainda persiste.

Ora vejamos: A ideia da empresa Orrera era promover um evento para ajudar Zena, através de angariação de fundos por via de um espectáculo e ninguém foi. Primeiro, antes de chegar ao mais alto nível miremos que nós mesmos não nos fizemos presentes ao concerto para entregar a nossa estimada guita em forma de caridade.

Segundo, estamos acusar Faizal António porque ele tem dinheiro e não se demonstrou aberto a apoiar. Facto! Mas esquecemo-nos que o Cota Ruca também apoiou o evento, mas não nos lembramos que o mesmo Ruca é um dos empresários bem sucedidos. E a pergunta é: Será que Ruca não tem dinheiro para prestar apoio directo um vez Faizal não mostrar vontade?

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Terceiro, diante de tanta agitação negativa esquecemo-nos que existe uma instituição que tutela os fazedores das artes e esta chama-se Associação dos Músicos de Moçambique. E a pergunta que não se cala é: Esqueceram-se da Zena?

E o Ministério da Cultura? Ah!? Também nada a comentar?

Simplesmente triste. Sob ponto de vista de ser confiável como gente, nós somos péssimo exemplo de seres vivos fora do mundo animal irracional. Estamos sempre a delegar responsabilidades aos outros mesmo sabendo que quota-parte nós temos a obrigação de as solver.

Lamentar o insucesso da Orrera não passa de um acto de falta de respeito para com a empresa. Chamemos isto de covardia. Estamos a lamentar algo que nós mesmos causamos. Nós negamos ajudar Zena…

Que péssimo exemplo de filhos somos…

Que péssimo exempo…

 

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